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13/06/2015

Assisense Olindo Adelino Gava, que faleceu em SP em maio deste ano, deixa legado artístico

Grandes obras estão espalhadas pelo País. Ele sempre procurava ajudar ao próximo

Contrariando pragmatismo de que sem o estudo não se é ninguém neste mundo, Olindo Adelino Gava editou um livro com mais de cem poemas, pintou cerca de 200 quadros e esculpiu obras que estão em diversas igrejas do País. Esta personalidade cursou somente até a terceira série do Ensino Fundamental, é um filho da cidade de Assis, e faleceu no dia 3 de maio de 2015, aos 91 anos de idade em São Paulo, vitimado por uma broncopneumonia, restando assim o legado de um grande artista, e, sobretudo de um homem brilhante.

Olindo nasceu na Água da Pinguela, em Assis, ajudou o pai no cultivo do café, que não prosperou devido às fortes geadas na área. Após o fracasso, o morador do povoado rural começou a trabalhar como açougueiro no frigorífico que seu pai abriu.

"O Olindo era brilhante, ele tinha um talento enorme para cortar a carne no açougue. Paralelamente a isso, fazia seus quadros e esculturas, sempre nos presenteava com o seu talento", diz Dirce Racael Gava Nóbile, irmã de Olindo.

Dirce conta que seu irmão conheceu a mulher da sua vida, Matilde, no povoado, quem começou a namorar aos 14 anos. O relacionamento durou até 1993, quando ela morreu vitimada por um câncer.

"O tio era apaixonado pela Matilde. Quando ela morreu, ele fez um monte de poemas póstumos, todos os meses o meu tio escrevia para ela, desde quando morreu guardou castidade. Ele ficava bravo quando sugeríamos que arrumasse uma nova mulher", conta Rita de Cássia Nóbile Coelho, sobrinha de Olindo.

Em São Paulo, Olindo construiu sua vida, depois que saiu de Assis em 1954. Trabalhou como carpinteiro e construtor, erguendo e vendendo casas, até se aposentar, fez inúmeras obras de arte trabalhadas em madeira e pedra sabão e presenteava seus parentes com suas esculturas, quadros e poemas.

"Ele adorava dar os seus trabalhos para nós e amigos. Por exemplo, a cada aniversário de um neto escrevia um poema e presenteava-o. Os escritos viraram um livro, que foi distribuído em uma noite de autógrafos na Paróquia Sagrada Família em São Paulo. Uma das netas dele, que é formada em Letras, corrigia o seus poemas. Ele tinha um grande domínio das palavras, no que diz respeito ao sentimento, mas nem tanto nas questões gramaticais", conta Rita.

Mesmo distante de Assis, o artista não se esquecia de sua terra natal. Rita conta que ele escreveu alguns poemas da cidade, que foram publicados no Jornal Voz da Terra, e também foram reunidos em seu livro.

No que diz respeito a sua infância, ele fez uma pintura da sua casa, onde viveu na Água da Pinguela.

Além disso, Olindo esculpiu a Via Sacra para a mesma paróquia e outras esculturas suas podem ser apreciadas nas igrejas Nossa Senhora do Rosário de Fátima, Santa Cruz do Rio Pardo, SP, e no Santuário São Judas Tadeu, em Goiânia, GO.

"O meu irmãozinho era chamado aqui em Assis de ‘já que’. Esta expressão remetia ao seu apelido de remendão, pois consertava tudo que vi pela frente com maestria", relata carinhosamente Dirce.

O artista também fez um violino que a família guarda com muito carinho.

"O Olindo foi uma grande pessoa, não somente pelo seu legado artístico, mas pela sua bondade e generosidade. Sempre ajudava os outros e queria sempre fazer os outros mais felizes. Em São Paulo, por exemplo, arrecadava brinquedos para as crianças carentes e se estes estivessem estragados arrumava-os", conta Rita.

Olindo deixa duas irmãs, dois filhos, cinco netos, o seu legado artístico e acima de tudo o legado de um grande homem que sempre procurou ajudar ao próximo.


Olindo e uma de suas obras




Redação AssisCity
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