COMPORTAMENTO

10/01/2017 -- 19:00

Dependência emocional: é preciso o outro para ser feliz?

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Para quem conhece ou acompanha meus artigos e trabalhos, já deve ter percebido que é costume de minha parte, muitas vezes, analisar o que realmente o tema quer nos dizer antes de sugerir algum pensamento a respeito. E convido vocês a pensarem comigo, novamente.

A palavra dependência nos sugere uma ideia sobre a necessidade extrema, o não controle frente a uma situação física ou de um desejo ou vicio. Usamos com frequência este termo para explicar a intensidade e o uso de recursos químicos como álcool, cocaína, maconha, cigarro, remédios, a dependência química. Já a palavra emocional apesar de nos fazer pensar em inúmeras situações ou propostas, vem da ideia do sentimento e estrutura psíquica de uma pessoa. Logo quando falamos de uma dependência emocional estamos ligando estas duas analises e esse entendimento. Isso é muito importante para que possamos diferenciar as situações de cada história ou pessoa e não sairmos por aí usando termos, conceitos ou nomes técnicos para explicar o cotidiano ou transformar pequenas situações em diagnósticos.

Vamos partir de um pensamento psicanalítico de que todo ser humano, em sua essência depende de um outro. A fase que mais vivemos ou que mais fica clara esta dependência acontece na infância (desde nascimento). Neste período somos dependentes fisicamente e também emocionalmente. Existem estudos que apontam para o fato de que nascemos com algum conteúdo pré psíquico emocional, mas todos os demais estudos que analisam o desenvolvimento humano nos mostram que nossas estruturas psíquicas e emocionais serão direcionadas fortemente ou mesmo construídas e criadas conforme o que o meio irá nos ensinar.

Assim há que se considerar que o ser humano é um ser dependente por natureza e mesmo com suas conquistas e necessidades de independência, por auto capacidade, por se reconhecer como único e por aprender a lidar com seu EU, ele tende, inconscientemente, a repetir relações (com pessoas ou objetos como carros, roupas, viagens, trabalho, lazeres, equipamentos tecnológicos, internet…) que proponham entrar em contato com sua dependência de algo ou alguém.

Mas e a dependência emocional, o que ela quer dizer então?

Neste caso estamos dizendo ou entendendo que alguém possui uma dependência afetiva por alguém ou algo e que aquela pessoa apresenta características de uma necessidade extrema por este meio desejado ou visto como fonte intensa de seu prazer. É importante observar que esta necessidade irá gerar atitudes extremas e exageradas. A pessoa demonstrará um forte desejo, mas na linha do inadequado e não se trata de uma paixão, pois o que vai chamar a atenção será algo além como: muita agonia e esforço para estar junto, medo ou ansiedade quando longe.

Além disso, é possível perceber uma dificuldades de raciocínio lógico ou de bom senso, para diferenciar o que tende a ser exagero ou não, alterações emocionais, interferência em seus hábitos e condições de vida, deixando amigos ou familiares de lado

A pessoa também sente que não consegue viver ou ser feliz ou estar bem se não for naquela condição, com aquela pessoa, naquele lugar, naquele trabalho, daquela forma, fazendo tal coisa. É muito comum associarem a dependência emocional somente as relações amorosas ou fraternas, mas uma dependência emocional não é restrita somente a relação com pessoas. Há quem seja dependente emocionalmente de um hábito, de uma ideia, de um movimento, como por viagem, trabalho, estudo, religião, academia.

A dependência emocional parte de uma carência afetiva, ou seja, uma necessidade daquela pessoa de atender um desejo seu e ela tenta encontrar e manter tal satisfação naquela relação, sendo um namoro ou mesmo por comida. Sim para cada uma destas dependências é comum haver um nome técnico para um diagnostico, mas o que aqui estou propondo a pensar é que todos estes partem do mesmo ponto, a dependência afetiva de seu EU. E que todos temos em nossa história nosso ponto mais frágil que recorre a alguma mania ou apego, para satisfazer a si mesmo e para isso precisamos do outro ou de um meio, logo somos todos dependentes de alguma forma. Mas somente um histórico exagerado e com condições prejudiciais é que merece atenção profissional e acompanhamento.

Outro ponto válido a trazer aqui, é a existência dos codependentes, ou seja, quando aquele que convive junto é afetado e tende a sofrer em conjunto e acaba sendo controlado ou manipulado pela condição gerada por aquela dependência extrema. Podendo prejudicar aqueles com quem convivem e até mesmo seu foco de desejo emocional.

Autoconhecimento

Não há como saber se seremos dependentes (da forma exagerada) ou não e nem mesmo sair avaliando as pessoas a nossa volta por um ou dois pontos que elas apresentam, mas podemos tentar cuidar ou até prevenir as intensidades da vida. Buscando formas de entrar em contato consigo mesmo e conhecer mais a seu respeito, sua historia, seus sentimentos, encontrando dentro de si valor próprio que merece ser reconhecido e usado como fonte de prazer, assim como também reconhecer suas limitações, pontos frágeis e dificuldades emocionais, para poder pensar a respeito.

A análise ou uma terapia parecem sim ser um bom lugar para poder cuidar destes aspectos, visto que aqui estamos considerando a ordem emocional. O amadurecimento psíquico depende de alguns fatores e envolve não somente um querer ou não querer, é preciso compreensão de si, do outro, do meio, do todo, do que se sente, do que provoca e do que posso fazer com isso tudo que ao longo do amadurecimento vamos percebendo. Uma análise ou uma terapia não pode jamais prometer que irá curar ou eliminar tal sintoma ou tal quadro, mas pode oferecer através de um autoconhecimento algumas possibilidades mais saudáveis ou que gerem menos prejuízo e talvez maior sensação de bem estar e equilíbrio emocional.

Para finalizar, relembro que o ser humano é um sujeito único sempre, baseado em sua historia, sua vida, seu meio, cultura e seu psiquismo. Então, alerto que devemos sempre tomar muito cuidado para não generalizar sintomas e atitudes como um sinal de dependência ou não, a generalização não parece ser suficiente para atender e explicar a complexidade que o ser humano possui. Entendo que o mais importante não é um ato em si, mas sim de onde pelo que foi gerado e o que ele causa, na vida da pessoa e do meio que convive, esse sim é ponto que devemos prestar atenção.



Raquel Baldo
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