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11/08/2017

Professora de Assis é uma das vencedoras do 20º Prêmio Educador Nota 10

Adriane Gallo Alcântara da Silva ainda concorre ao título de Educador do Ano, que será escolhido em outubro, em cerimônia na cidade de São Paulo

A 20ª edição do Prêmio Educador Nota 10 já tem seus vencedores. Os educadores escolhidos foram anunciados na tarde da última segunda-feira (7). Entre os nomes está o da representante de Assis (SP), Adriane Gallo Alcântara da Silva, da EMEIF Profª Coraly Julia Gonçalves Carneiro. O prêmio é de R$ 15 mil para o professor ou gestor e um vale-presente de R$ 1 mil para a escola onde o projeto foi desenvolvido. Além disso, os vencedores concorrem ainda ao prêmio de Educador do Ano, que será escolhido em cerimônia no dia 30 de outubro, em São Paulo.

Com o projeto "A formação contínua dinamizando a escola", Adriane conquistou os jurados. Sua inspiração nasceu quando assumiu a direção de uma escola em Assis. Lá iniciou um trabalho valoroso junto ao grupo de professores, em parceria com as vice-diretoras e as coordenadoras pedagógicas. O objetivo era qualificar a formação em contexto de trabalho, analisar os instrumentos de avaliação, estudar e propiciar trocas com docentes de outros municípios. Organizaram um evento, Estabelecendo Parcerias e Compartilhando Ideias, que acontece a cada início e final de semestre. Além disso, a escola conta, hoje, com a Universidade Estadual Paulista (UNESP) no apoio à formação continuada dos profissionais.
Além de Adriane, outros nove educadores que desenvolveram experiências pedagógicas de destaque nas escolas em que trabalham foram escolhidos por uma comissão de especialistas entre os mais de 5 mil inscritos.

Os selecionados são dos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rondônia, Pernambuco e Paraná. O Educador Nota 10 é uma iniciativa do Grupo Abril em parceria com a Globo, organização da Fundação Victor Civita e da Fundação Roberto Marinho, com apoio da Associação Nova Escola e patrocínio da Fundação Lemann, Somos Educação e Faber Castell.

Dois projetos finalistas – em São Paulo e no Paraná – foram colocados em prática em turmas do Ensino Médio, segmento que passou a fazer parte do Prêmio este ano. Uma das iniciativas aborda o ensino de História Antiga a alunos que cumprem pena em regime fechado; a outra investiga como a sexualidade é expressa através da Geografia. Há, ainda, trabalhos desenvolvidos a partir de textos de Clarice Lispector e Sylvia Orthof para o estímulo à escrita; de pesquisa etnográfica sobre tribos indígenas de Pernambuco e de sensibilização contra o racismo e o preconceito contra imigrantes, entre outros.

No ano em que completa 20 edições, o Prêmio Educador Nota 10 registrou um recorde de inscrições, com 5.006 projetos. Desde a criação do Prêmio, em 1998, mais de 67 mil professores participaram da premiação.

Conheça os demais finalistas:

Cristiane Pereira de Souza Francisco
Educação Física / Fundamental I
Bolinhas de Gude: Descobrindo outras formas de ensinar, aprendendo outros jeitos de aprender
Escola Estadual Antonio de Oliveira Bueno Filho
Araraquara – SP

Ela começou deixando as crianças brincarem de bolinha de gude na aula de Educação Física, sem regras nem intervenções. Os alunos do 1º ano, protagonistas da aprendizagem, foram se apropriando da atividade em etapas, graças à escuta atenta e sensível de Cristiane. O diálogo constante com a turma deu visibilidade à forma da criança pensar e interagir ao jogar, suas percepções, hipóteses, questionamentos, estratégias e interpretações. Assim, de um jeito inovador, a professora descobriu como as crianças aprendem um jogo e como o professor pode ensiná-lo.

Denise Rodrigues de Oliveira
Educação Infantil / Creche
Promovendo a autonomia através do espaço
EMEI Floresta Encantada
Novo Hamburgo – RS

Confiando na potência das crianças, Denise reorganizou o berçário para dar a elas novas possibilidades de exploração, com menos interferência dos adultos. Ela idealizou e construiu materiais, brinquedos e objetos desafiadores e adequados às suas descobertas. Além disso, tomou a decisão de tirar os berços da sala, rompendo com o modo estereotipado e tradicional de administrar a hora do sono nas creches. Assim, os bebês podiam adormecer e acordar no seu tempo, movimentar-se ao despertar sem depender das professoras, interagir com os amigos e com o ambiente.

Di Gianne de Oliveira Nunes
História / EJA - Educação de Jovens e Adultos / Ensino Médio
Regime Fechado, Visão Aberta
Escola Estadual Monsenhor Alfredo Dohr
Lagoa da Prata – MG

A Bíblia pode ser usada como fonte histórica? Essa dúvida manifestada por um aluno disparou um trabalho intenso em que passagens da Bíblia foram o estopim para diversas investigações da História Antiga. A turma de EJA do professor Di Gianne cumpre penas de regime fechado em uma unidade do sistema prisional, uma APAC (Associação de Proteção e Assistência ao Condenado), e estudou sobre sociedades como as dos egípcios, assírios e romanos, em materiais fornecidos pelo docente. As pesquisas também ajudaram os alunos a compreender aspectos de conflitos atuais entre israelenses e palestinos — justificados em boa medida por argumentos históricos —, ou do fundamentalismo islâmico. Di Gianne provou que os recuperandos se interessam pelo estudo da História quando se propõe a eles um trabalho de pleno sentido.

Diogo Fernando dos Santos
Língua Portuguesa / Fundamental I
Quem escreve sou eu!
Escola Municipal Professora Odete Corrêa Madureira
Pindamonhangaba – SP

O desejo do professor Diogo era que seus alunos escrevessem mais e melhor. Para isso, nada mais acertado do que mostrar textos que causam impacto no leitor. Ao eleger os contos de Clarice Lispector e Sylvia Orthof, ele deu à turma do 5º ano oportunidades de apreciar, discutir e analisar excelentes referências. Apostando no potencial das crianças, ele incentivou a produção coletiva e individual de textos autorais e orientou várias etapas de revisão. Tudo foi documentado em um blog, para que o processo de escrita e seus avanços fossem compartilhados com as famílias.

Elisângela Dell-Armelina Suruí
Alfabetização / Fundamental I
MamugKoeIxoTig
E.I.E.E.F.M. Sertanista Francisco Meireles
Cacoal – RO

Os alunos da classe multisseriada de 1º a 5º ano de Elisângela falam PaiterSuruí (língua indígena), mas tinham tanta dificuldade para escrever nesse idioma quanto para entender os materiais didáticos em língua portuguesa. Por isso, ela preparou junto com eles um caderno de atividades de escrita e leitura na língua materna, estabelecendo relações com a língua portuguesa e com a de sinais, já que existem muitos surdos entre o Povo Paiter. Considerando sua turma multisseriada, ela organizou o projeto para que todos pudessem trabalhar de acordo com seus saberes, potencializando as possibilidades dos alunos mais velhos e dando espaço para a ação dos mais novos.

Flávia Roberta Alves Costa
Arte / Fundamental II
Inspirações Indígenas
Escola Municipal Divino Espírito Santo
Recife – PE

A professora Flávia faz uma pesquisa etnográfica para conhecer as comunidades indígenas de Pernambuco e sua produção artística. Em seguida, envolveu os alunos do 6º ano e suas famílias em outra pesquisa sobre a descendência indígena dos alunos. Na escola, eles tomaram contato com o tema por meio de contação de histórias e apreciação de imagens e receberam a visita dos Fulni-ô. A turma entrevistou os indígenas, assistiu e participou de danças e conheceu as pinturas corporais deste povo. Os alunos fizeram desenhos de observação de artefatos, criaram tramas com papel e pintaram grafismos e palavras no corpo, propostas que diferenciam os processos de criação dos indígenas e os dos estudantes. O projeto valorizou a relação das crianças com suas raízes e com sua construção de identidade como povo brasileiro.

Gislaine Carla Waltrik
Geografia / Ensino Médio
Gênero e Sexualidade, o que a Geografia tem com isso?
Colégio Astolpho Macedo Souza
União da Vitória – PR

A professora Gislaine resolveu investigar como a sexualidade é expressa no espaço geográfico escolar. Para isso, planejou atividades para os alunos observarem se as questões de gênero provocam ou não segregações espaciais e se há espaços marginais para determinados gêneros. Trabalhou a noção do próprio corpo como espaço, parafraseando um dos maiores geógrafos brasileiros, Milton Santos: "o espaço é a casa do homem, mas também a sua prisão". Gislaine também aproveitou conteúdos da Geografia que se aproximam da sexualidade humana como análise do crescimento demográfico, globalização e tráfico de pessoas, controle de natalidade e pirâmide etária.

Luana Viegas de Pinho Portilio
Ciências / Fundamental I
Conhecendo as Aves do Entorno
Escola Colibri
Embú das Artes – SP

Os alunos do 1º ano de Luana aprenderam na prática os comportamentos de um observador de aves. Tiveram como desafio, neste estudo, investigar o entorno da escola para conhecer e identificar quais as aves que visitavam o local. Além de ler textos e assistir a documentários e programas de reportagem, eles anotaram e desenharam em um livro de observações as características, as cores, os tamanhos e os tipos de bico das aves encontradas. Muitas crianças comprovaram nesses registros coisas pesquisadas nos textos, como o comportamento das aves, a construção de ninhos e sua alimentação. Ao propor situações de aprendizagem com questões desafiadoras e possíveis de serem respondidas pela observação da natureza, a professora desenvolveu a cultura científica em seus alunos, o que envolve a capacidade de compreender e interpretar o mundo.

Rosely Marchetti Honório
História / Fundamental II
O migrante mora em minha casa
EMEF Infante Dom Henrique
São Paulo – SP

O bairro do Canindé abriga um dos maiores pólos da indústria de confecções do país, que emprega mão de obra imigrante em situação precária. Ali, em uma escola do bairro, a professora Rosely observou preconceito entre os colegas, principalmente contra os bolivianos, e resolveu entrelaçar conteúdos históricos com a vida dos estudantes, descendentes de migrantes e imigrantes. Depois de entrevistar suas famílias, aprender sobre racismo em várias épocas e encontrar confecções irregulares em um estudo de meio, os alunos foram sensibilizados para uma ação de combate ao trabalho escravo na região.

Sobre o Prêmio Educador Nota 10
Criado em 1998, o Prêmio Educador Nota 10 reconhece professores da Educação Infantil ao Ensino Médio e também coordenadores pedagógicos e gestores escolares de escolas públicas e privadas de todo o país. Desde 2015, a iniciativa, uma realização da Fundação Victor Civita, é apresentada pela Abril e Globo, em parceria com a Fundação Roberto Marinho. Este ano, o Prêmio conta com o apoio de Nova Escola e o patrocínio de Fundação Lemann, Somos Educação e Faber-Castell. Em 2017, o Prêmio recebeu 5.006 inscrições, número 20% maior que o do ano anterior. Ao longo das 19 edições realizadas foram premiados 211 educadores, entre professores e gestores escolares, que receberam aproximadamente R$ 2,5 milhões.


Adriane Gallo Alcântara da Silva, da EMEIF Profª Coraly Julia Gonçalves Carneiro


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