29 de Fevereiro de 2020
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Carta aos que estão indignados com a corrupção.

Caríssimos.

O combate à corrupção é algo que está intimamente ligado aos discursos de todos os que falam em uma sociedade. Os políticos, os servidores públicos, os lideres religiosos, os movimentos sociais e qualquer cidadão que tenha um mínimo de formação moral; tornam esse pensamento contra a corrupção um adágio a ser seguido pelas autoridades competentes. Vamos aos fatos para analisar o pano de fundo fundamental dessa epidemia moral que tomou conta da população brasileira.

Afinal, amigos, o que podemos entender como corrupção? Em uma definição bem genérica, a palavra quer expressar o ato de corromper ou desmoralização. Para Platão a corrupção é a qualidade suprema que se expõe nas relações materiais, pois aquilo que muda constantemente não pode ser perfeito. Por isso optou por direcionar sua atenção filosófica à busca do conhecimento verdadeiro, que não estaria nesse mundo material. Essa forma de pensar coloca a corrupção como algo que está inerente ao sistema das coisas no mundo, do jeito que elas estão.

Os noticiários, nos últimos tempos, veiculam casos de corrupção ligados com a gestão pública.
Tanto a federal, quanto as estaduais e as municipais, são alvos de investigações que acusam as mais diversas modalidades de desvios de verbas públicas. A grande mídia, de maneira organizada e sistemática, denuncia os casos de corrupção ligados ao governo federal. Todo escândalo de corrupção é tido como "o maior da história do país"; primeiro foi o mensalão e depois a Petrobrás, como se essa administração da União fosse a autora de um esquema estruturado de desvio de recursos públicos. Ora, ora, nobres companheiros, não sejamos tão ingênuos... Denúncias sobre corrupção organizada na Petrobrás aparecem desde os anos 1990!

A corrupção é parte constitutiva e decisiva de uma economia em que os meios de produção são propriedades particulares. Será que alguma pessoa acredita na possibilidade de uma licitação pública justa e plenamente legal? Não foi por acaso que um pensador como o Platão, que repudiava a corrupção, quando escreveu sobre uma sociedade ideal propôs um Estado completamente controlador e equalizador das demandas sociais e econômicas.

Quem quer combater a corrupção se esforça em superar essa economia de mercado capitalista centrada na propriedade privada. Quando um governo de direita assume a gestão, nesse tipo de organização social, é permissivo com os processos de privatização dos bens públicos. A diferença entre o valor de venda e o valor real de uma empresa estatal como a Vale do Rio Doce, ultrapassa a casa dos bilhões, pois ela foi praticamente "doada" para o capital estrangeiro. Quando um governo de esquerda assume o comando numa sociedade capitalista, o fato dele ascender ao poder, já caracteriza uma negociação com as forças de direita. E a administração descamba para agradar tanto aos gregos como aos troianos.

Trocando em miúdos, amigos, no capitalismo um governo de direita como o tucano é privatizador. Outro, moderado como o petista, fortalece minimamente os projetos sociais, mas sem articular atenções para reverter as privatizações. São duas políticas muito limitadas e completamente contrárias aos interesses concretos da população. As necessidades populares são os serviços públicos de qualidade: saúde, educação e transporte público.

Então, caros amigos, se vocês querem eliminar a corrupção não adiante trocar a presidência. A estratégia é lutar por uma mudança estrutural de base econômica da sociedade, com vistas à superação da propriedade privada pela administração estatal e coletiva da República.

Saudações amigas.


Por Ulisses Coelho

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