17 de Julho de 2019
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Crítica aos críticos da travesti ‘crucificada’, que deveriam criticar a Revista Placar também

Crítica aos críticos da travesti ‘crucificada’, que deveriam criticar a Revista Placar também

No último domingo, 7, aconteceu a 19ª Parada do Orgulho das Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT). O movimento é tradicional e acontece anualmente, e, assim como de outros grupos, sejam eles de maioria ou minoria, todos possuem o direito de se manifestar e mostrar o sentimento que a sociedade repreende.

Diante deste acontecimento, a atriz transexual Viviany Beleboni, de 26 anos, que é espírita, tem causado muito furor e admiração ao mesmo tempo, pois se prendeu à cruz, encenando o sofrimento de Jesus, para representar a agressão e a dor que a comunidade LGBT tem passado. "Nunca tive a intenção de atacar a igreja. A ideia era, mesmo, protestar contra a homofobia", explicou.

A maioria dos Católicos Apostólicos Romanos e de outras denominações religiosas está perplexa com a atitude de Viviany. Julgam a sua encenação como falta de respeito. Alguns religiosos pensam que o ato da atriz tenha sido uma afronta à Igreja.

Penso que os valores e o respeito a qualquer religião, religiosidade, tribos, etnias e nacionalidade devem ser acima de tudo respeitados. A atitude de Viviany, na minha óptica, não foi uma afronta. Ela quis mostrar o sofrimento da sua causa que é a falta de respeito aos LGBTs. Entretanto, acredito que ela sabia que o seu ato causaria polêmica, pois mexeu de certa forma com os dogmas e tradição religiosa de muitos brasileiros.

Acredito que esta repugnância é desnecessária, levando em conta que a Revista Placar, em outubro de 2012, estampou em sua capa a imagem do melhor jogador de futebol do Brasil na atualidade, o Neymar. Na época, o então jogador do Santos Futebol Clube, apareceu em uma iconografia crucificado na capa do periódico em alusão a sua fama de ‘Cristo do Futebol Nacional’, pois era constantemente caçado em campo por seus adversários e repreendido pelos árbitros de futebol por conta da sua fama de ‘cai-cai’. Se formos analisar o ex – santista também foi mostrado na revista como um assunto de magnitude pelo seu futebol e o preconceito em torno dele por ter fama de cavar faltas.

Analisando por meio desta óptica, ambas as cenas mostram o sofrimento, ora de um jogador que era criticado por encenar faltas, ora a cena do travesti, que segundo ela foi para exemplificar o seu martírio, que no seu olhar a sociedade possui repugnância perante a sua opção sexual.

Penso que os críticos à atitude da travesti deveriam observar mais atentamente a peça publicitária da Revista Placar, pois as duas ações de publicidade não têm a intenção de provocar ninguém. Uma faz alusão ao atual deus do Futebol Nacional e a outra ao martírio da sua luta. Não há necessidade de tantas discussões em torno desta questão.

Os religiosos que se sentiram ofendidos deveriam também se ofender com a estampa de Neymar na cruz, que é um dos maiores símbolos dos Cristãos. Assim, o jogador não poderia ser comparado a Cristo.

Jesus Cristo existindo ou não foi um dos maiores exemplos de homem na face da terra, pois teve amor e compreensão para com o próximo, não era preconceituoso, aceitava leprosos, prostitutas e pecadores no seu nicho de convivência, desde que se arrependessem de seus pecados. Acredito que Cristo aceita perante si os LGBTs, que mal eles fazem à sociedade?

A opção sexual de uma pessoa não é motivo de repugnância alguma, não somente no que diz respeito à sexualidade, desde que a sua atitude não infrinja o direito do outro de ir e vir, de pensar, entre outros.

Acho que não se deve repugnar a forma de se expressar, afinal todos nós temos o direito. Existem coisas muito mais importantes para se debater do que esta pequena picuinha de uma ação de um travesti.


Eduardo Oliveira

Eduardo Oliveira
professor de História, Filosofia e Ética e Cidadania Organizacional e estudante de Pedagogia
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