07 de Dezembro de 2019
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Geólogo considera provável a existência de petróleo e gás natural na região

"Uma coisa é certa: confirmado petróleo e/ou gás em nossa região ele será muito mais econômico que na Bacia de Santos", diz geólogo

Em meados do mês de maio foram vistos em várias cidades da região de Assis caminhões e maquinários pesados da empresa norte-americana Global Geophysical, que presta serviços à empresa Petróleo Brasileiro S.A. (PETROBRAS), a qual procura gás natural e petróleo.

Com o intuito de esclarecer a possibilidade de existir estes recursos minerais na região, a equipe de reportagem do AssisCity entrevistou o geólogo de Cândido Mota, professor doutor José Reynaldo Bastos da Silva.

Ele é mestre, doutor e pós-doutor na área de planejamento, gestão mineral e ambiental. Atualmente é docente titular da unidade da Universidade Paulista (UNIP), de Assis e professor conferencista do campus da Universidade Estadual Paulista (UNESP), de Assis.

Confira a entrevista:

AssisCity - Há possibilidade de encontrarmos petróleo e gás natural na região de Assis?

José Reynaldo Bastos da Silva - Sim, pois saibam que estamos geologicamente localizados na chamada Bacia Sedimentar do Paraná, que também compreende a região Oeste Paulista. Veja também, o quadro abaixo, que elaborei a partir da interpretação de um poço perfurado pela Petrobras em 1961 nas proximidades da cidade de Paraguaçu Paulista, que foi alvo de meu doutorado, concluído na UNESP, de Rio Claro, em 2008.

Por este quadro pode-se perceber que abaixo do basalto (em verde), a 910 metros de profundidade, ocorre o arenito da Formação Botucatu (em amarelo), de excelente porosidade e permeabilidade, tanto é que aloja o Aquífero Guarani, um dos maiores do mundo. E mais abaixo ainda, a 1.386 metros de profundidade, começa a Formação Corumbataí, abaixo da qual está a Formação Iratí, potencial geradora de petróleo e gás. Portanto, temos as três condições naturais e potenciais de encontrar petróleo e gás a até 2.000 metros de profundidade, que são: rocha geradora (folhelho da Formação Iratí), rocha de migração (arenitos da Formação Corumbataí em bege e marrom) e rocha selante (basalto da Formação Serra Geral, em verde).

Acrescente-se que as rochas geradoras se formaram em ambiente marinho, o mesmo ambiente das camadas do pré-sal de Santos. Entenda que o mar estava presente aqui na região de Assis há mais de 250 milhões de anos, no período geológico do Permiano e logo após o período do Carbonífero, quando se formaram grandes depósitos de matéria orgânica que podem evoluir para hidrocarbonetos.

AssisCity - O que, então, estiveram fazendo os pesquisadores da empresa norte-americana Global Geophysical em nossa região, à serviço da Agência Nacional do Petróleo (ANP)?

José Reynaldo Bastos da Silva - Estiveram exatamente fazendo uma prospecção geofísica utilizando a tecnologia vibroseis, levantamento sísmico, que permite criar uma imagem da sub-superfície geológica da região. As ondas sísmicas são produzidas em pulsos gerados pela queda de um peso na superfície do terreno suportado por caminhões Thumper e provocam vibrações. As ondas sísmicas produzidas descem até 2.000 metros de profundidade para atingir as camadas rochosas, as quais me referi anteriormente. Atingidas essas camadas, as ondas voltam à superfície (sísmica de reflexão) e são captadas por geofones, que são instalados em linhas de curta distância entre cada um.

Os resultados são geoprocessados em multimídia científica que podem mostrar possíveis anomalias, as quais podem ser interpretadas como ocorrência de estruturas geológicas favoráveis à acumulação de petróleo e/ou gás natural. Ressalta-se que a certeza de ocorrência dos hidrocarbonetos e a quantificação econômica da jazida só será possível com sondagens em poços profundos, onde a ponta da broca é que vai provar se há ou não petróleo e/ou gás e a análise integrada de vários poços desse tipo na região é que vai permitir a quantificação de uma jazida economicamente viável ou não. Uma coisa é certa: confirmado petróleo e/ou gás em nossa região, ele será muito mais econômico que na Bacia de Santos, pois aqui seriam poços em terra com profundidades em torno de 2.000 metros enquanto que no pré-sal de Santos, os poços estão a 300 quilômetros distantes da costa, em alto mar sob uma lâmina d’água de 2.200 metros e os reservatórios chegando a 5.000 metros abaixo do leito marinho incluindo uma camada de sal de aproximadamente 2.000 metros; além do que, o gasoduto Bolívia-Brasil corta o Centro-Oeste paulista nas proximidades de Bauru, a menos de 200 km de distância de nossa região.

AssisCity - Qual é o papel da ANP?

José Reynaldo Bastos da Silva - A ANP é a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Como tal é reguladora e fiscalizadora das operações de prospecção e pesquisa de hidrocarbonetos no Brasil. Na 13ª rodada de licitações, realizada em 7 de outubro de 2015, a ANP ofereceu uma área na Bacia do Paraná e esta foi arrematada pela empresa "EPG Brasil", que pagou ágio de 3,002% sobre o valor ofertado, sendo este um bônus de R$ 2.577.700,00 para ter exclusividade de pesquisa nesta área.

A EPG é uma empresa de extração de petróleo e gás natural, cuja sede fica em Aracaju, capital do Estado de Sergipe. A Global Geophysical Services é uma empresa norte-americana situada em Houston no Texas. É a prestadora de serviços que empreitou da EPG a realização do levantamento sísmico na região. O Texas é o Estado Norte-Americano maior produtor de petróleo e de tecnologia mais evoluída em exploração de petróleo em bacias terrestres, como é o caso de nossa Bacia Sedimentar do Paraná, de larga exposição no Oeste Paulista.

Resultados:

O maquinário da empresa norte-americana consegue captar vibrações subterrâneas de até 2.000 metros de profundidade. Todos os dados registrados são transmitidos para análise e os resultados podem demorar até cinco anos para serem divulgados.

Os equipamentos captam imagens das camadas de rochas da superfície com a proposta de comprovar a existência de hidrocarbonetos, substâncias que indicam a possibilidade de haver gás natural ou petróleo nos locais.


Geólogo, professor doutor José Reynaldo bastos da Silva, em trabalho de campo

Quadro da História Geológica de Paraguaçu Paulista


Redação AssisCity / Foto: Divulgação
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