16 de Julho de 2018
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Homeopatia para pets ainda enfrenta preconceitos, mas ganha adeptos

Método que usa estímulos energéticos para reequilibrar o organismo é disciplina na graduação há mais de 20 anos, mas tem poucos veterinários especialistas. Resultados positivos animam profissionais e donos de pets

Um post nas redes sociais comentando a divulgação que um médico veterinário de Bauru (SP) fez sobre a prestação de serviços de homeopatia para pets dá bem uma noção dos desafios que esta terapia, criada no final do século 18 pelo médico alemão Samuel Hahnemann, ainda enfrenta.

Formado pela UEL (Universidade Estadual de Londrina), com especialização em homeopatia veterinária concluída há mais de 15 anos, o médico veterinário Paulo Zanardi nem se surpreendeu com o comentário irônico de um internauta que afirmou que o anúncio era uma proposta de se tratar pets com "superstição e pseudociência em pleno século 21”.

Mas segundo Zanardi, a homeopatia não só não é uma "superstição”, como tem apresentado respostas de cura surpreendentes. Com o advento das redes sociais, os resultados positivos são divulgados pelos donos de animais, o que tem atraído cada vez mais adeptos.

"A homeopatia vem se mostrando muito eficiente no trato de doenças de origem fisiológica, como transtornos digestivos, atropelamentos, alergias e problemas de pele, além dos controles de questões comportamentais dos pets”, explica o veterinário.
Mesmo assim, a homeopatia ainda conta com poucos profissionais habilitados a ministrar a especialidade que é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária desde 1995.

Segundo Stelio Pacca Loureiro Luna, professor titular do Departamento de Cirurgia e Anestesiologia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu, ainda há poucos profissionais realmente habilitados a ministrar o método terapêutico.

Responsável pela disciplina de homeopatia que está na grade do curso de veterinária da Unesp há mais de 20 anos, Stelio Pacca admite que a formação oferecida na graduação serve apenas para apresentar o método aos futuros médicos veterinários.

"A disciplina [na graduação> é bastante básica e não é suficiente para o seu exercício. Para isso, o veterinário terá de se especializar, estudar muito, investir nessa especialização, e nem todos estão muito dispostos”, admite Pacca.

Além disso, explica o professor, como a proposta da homeopatia é de tratamentos muito individualizados, há pouca publicação científica nessa área, o que a torna igualmente pouco difundida.

Como funciona

Segundo Stelio Pacca, a homeopatia, seja para humanos ou para pets, tem como base o princípio de que "semelhante cura semelhante”.

Ou seja, a terapia consiste em oferecer a um doente, de forma diluída e em pequenas doses, uma substância que, em doses elevadas, produziria sintomas semelhantes aos da doença que está sendo combatida.

Segundo o professor da Unesp de Botucatu, a grande diluição da substância faz com que não haja efeito adverso. Ele explica que a homeopatia provoca uma resposta do próprio organismo contra o fármaco ministrado.

O veterinário Paulo Zanardi explica que a homeopatia é indicada a praticamente todo tipo de doença ou sintoma, desde os quadros respiratórios aos digestivos (gastrite diarreia), passando pelos problemas dermatológicos e os comportamentais.

"Esses [problemas comportamentais> representam o principal motivos que atrai as pessoas a levar seus pets a um veterinário homeopata, mas a homeopatia não muda o caráter do animal. A gente se baseia em sintomas mentais e em comportamentais para achar o medicamento de fundo para cada caso”, explica Zanardi.

Por isso, completa o veterinário, a consulta precisa ser muita detalhada, uma verdadeira entrevista com o dono do pet para se levantar informações sobre os hábitos e comportamento do animal.

Segundo o Zanardi, há poucos casos em que a homeopatia veterinária não é indicada, como para doenças endócrinas, que requerem reposição de hormônios. Ou então, no caso de uma infecção já instalada, quando o uso de um antibiótico é imprescindível.

Nesse sentido, Stelio Pacca defende o princípio da medicina integrativa, aquela que lança mão de todas as especialidades possíveis para a saúde do animal.

"O profissional precisa ter bom senso para escolher a melhor terapêutica para cada caso. Boa parte das doenças é tratável com homeopatia, mas o bom profissional não deve deixar de usar a medicina tradicional. Ou seja, um veterinário homeopata pode e deve normalmente prescrever um antibiótico, por exemplo”, conclui o professor da Unesp de Botucatu.


Médico veterinário Paulo Zanardi ministra gotas para a gata Lucy: resultados surpreendentes e muitas vezes rápidos (Foto: Sérgio Pais)


G1
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