13 de Dezembro de 2018
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Brasileiros buscam diferentes formas para viver no exterior

Segundo a Associação Brasileira das Operadores de Turismo (Braztoa), o número de embarques para o exterior em 2017 foi de 1,2 milhão em 2017 contra 954 mil em 2016, 26% a mais

Basta caminhar alguns minutos pelas ruas de grandes cidades do mundo para perceber a quantidade de brasileiros por todos os lados. Segundo a Associação Brasileira das Operadores de Turismo (Braztoa), o número de embarques para o exterior em 2017 foi de 1,2 milhão em 2017 contra 954 mil em 2016, 26% a mais.

Mas não é só de turistas brasileiros que o mundo está cheio. Diversas notícias sobre imigração informam que cada vez mais brasileiros estão buscando sair do país. Apesar de imprecisos, números divulgados pelo Relatório Internacional de Migração do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da Secretaria das Nações Unidas (Desa), apontam que 1,6 milhão de brasileiros viviam no exterior na primeira metade de 2017. De acordo com a Receita Federal, entre 2014 e 2016 foram entregues 55.402 Declarações de Saída Definitiva do País, 81,61% a mais do que no triênio anterior.

O brasileiro está cada dia mais descontente com a situação atual do Brasil. Crise política, recessão econômica, desemprego, juros e impostos, corrupção e violência são as principais razões que levam muitos brasileiros a deixarem o país em busca de oportunidades no exterior.

Segundo Alexia Franco, sócia-fundadora da consultoria executiva Unique Group "há uma falta de crença generalizada na recolocação profissional porque há muitas pessoas desempregadas e o mercado de trabalho já não absorve todo mundo. É natural esse desejo por experiências em outros locais”.

Países mais procurados pelos brasileiros para viver

Devido à qualidade de vida, países europeus estão entre os mais buscados. Até o ano passado, 635.000 imigrantes brasileiros viviam na Europa. Devido à familiaridade om o idioma, Portugal vem crescendo na preferência dos brasileiros. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas, 80.000 brasileiros formam a maior comunidade de estrangeiros residentes.

Outros países muito procurados por brasileiros para morar são Canadá, Estados Unidos, Austrália e Noruega. Não à toa, os 4 países estão entre os 12 melhores do mundo, segundo um levantamento feito pelo U.S. News & World Report, a Y&R’s BAV Consulting e a Wharton School da Universidade da Pensilvânia que entrevistaram mais de 21 mil pessoas.

O "american dream” faz parte do imaginário de muitos brasileiros. A estimativa do governo brasileiro é que 1,2 milhão de brasileiros moram nos Estados Unidos. Desses, 730 mil estão sem a documentação adequada.

Apesar das dificuldades de imigração para os Estados Unidos e o posicionamento desfavorável do governo Trump a respeito de imigrantes, o país continua a ser um dos destinos mais desejados pelos brasileiros. Segundo o jornalista e escritor Flavio Quintela, que mora com a família nos Estados Unidos, autor de um curso online específico para brasileiros que desejam viver no país, os canais de imigração continuam disponíveis.

O processo burocrático para quem pretende se instalar nos EUA é demorado, mas existem formas de fazer isso legalmente, seja com visto de estudante ou trabalhando para empresas americanas, entre outras formas. O primeiro passo antes de sair do país é providenciar a documentação exigida. Os primeiros documentos necessários são o passaporte e um visto temporário de trabalho, que permite ficar nos Estados Unidos por um período e exercer determinada atividade.

Existem diferentes tipos de vistos, para imigrantes ou de trabalho. A opção mais segura para brasileiros que querem residir nos Estados Unidos é o "green card”, conhecido como Formulário I-551, um cartão de trânsito livre emitido pelo governo americano. Com ele, o portador tem permissão para morar e trabalhar legalmente em solo americano.

Obter um green card não é tarefa fácil. Cada vez existem mais dificuldades para aquisição do tão desejado visto, como, por exemplo, a intolerância das autoridades americanas contra imigrantes ilegais. Mas sempre é bom lembrar que, apesar de conceder o benefício de permanência nos Estados Unidos, o green card não é o mesmo que cidadania americana.

Casais brasileiros buscam outra solução para obter visto

Em decorrência de todas essas razões que motivam brasileiros a se mudarem para o exterior e das tantas dificuldades encontradas para obter um visto, muitos casais investem pequenas fortunas para garantir que os filhos nasçam em Miami e tenham dupla cidadania. O valor médio para cobrir todas as despesas com passagens, hospedagem e convênio médico-hospitalar nos Estados Unidos é de cerca de US$ 40 mil, o que representa em torno de R$ 160 mil, segundo a cotação atual.

Esses casais creem que a cidadania americana pode, em longo prazo, fazer a diferença na vida da criança e garantir um futuro melhor e com mais possibilidades.

Não é ‘ilegal’ ir à Miami para ter filhos, essa é uma prática que ocorre há muitos anos. Em 2015, Donald Trump em campanha eleitoral mencionou a defesa do fim da concessão automática de dupla cidadania a estrangeiros. O até então pré-candidato provocou muitos conflitos entre os imigrantes quando se referiu às crianças como bebês-âncora. Após eleito, os ânimos se esfriaram e não houve nenhuma ação contra a dupla cidadania automática.

Nacionalidade americana não se estende aos pais

Apenas a criança é beneficiada com o recurso da concessão de dupla cidadania, os pais se quiserem o visto definitivo, podem por meio do bom histórico no país e por terem um filho com cidadania americana, ter o processo facilitado, mas ainda assim, sem garantia.


Diversas notícias sobre imigração informam que cada vez mais brasileiros estão buscando sair do país


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