24 de Março de 2019
17º/30º
NOTÍCIAS » LOCAL

Falta de chuva pode prejudicar lavoura de soja na região de Assis

As chuvas em novembro e dezembro foram esporádicas, o que pode afetar a produção de soja na região, mas que ainda é cedo para avaliar os prejuízos

Os produtores rurais da região de Assis estão preocupados com a colheita deste ano, já que as chuvas de novembro e dezembro não foram tão abundantes quanto o esperado. A situação pode prejudicar o plantio de soja, que é forte em todo o Vale do Paranapanema e também na região de Assis.

O engenheiro agrônomo da JF Insumos Agrícolas, Matheus Fernandes, explica que a partir da chegada do verão, em especial nos meses de janeiro e fevereiro, período em que a soja se desenvolve, a falta de chuvas pode significar prejuízo.

"O mês de janeiro pega os estágios reprodutivo das plantas e é o período em que a planta mais precisa de água. Então, se ocorre falta de chuva nessa época, as perdas são as maiores possíveis. Além disso, comumente há temperaturas altíssimas nesse período do ano, é muito quente, então qualquer falta de água dá um prejuízo enorme e há perda na lavoura por déficit de hídrico”, considera Mateus.

"Não só em janeiro, mas o mês de fevereiro também compreende o enchimento de grão aqui na nossa região, sendo o estágio reprodutivo da soja. Por isso são os meses cruciais para a cultura em relação ao clima”, acrescentou o agrônomo.

Mateus explica que em novembro de 2018 houve um veranico, até meados do dia 20, situação que se repetiu em dezembro, voltando a chover pouco antes do Natal, no dia 24. Segundo ele, essa mudança de clima afeta a plantação.

"Agora o clima normalizou, mas foram registradas algumas perdas na região de Cândido Mota, Platina, e a soja plantada mais cedo perdeu bastante. Agora o clima está normalizado, mas não está sendo chuva abundante, então do mesmo jeito que temos uma região com soja muito boa, porque choveu um pouco mais, bem próximo pode haver uma área bem fraca, porque choveu menos”, justificou.

Mateus acrescenta que o momento agora é de esperar para saber quais serão os resultados desse período de falta de chuva.

"Agora não tem o que fazer, temos que aguardar o clima dos meses de janeiro e fevereiro. Quem plantou muito cedo, no plantio de 15 de setembro a 2 de outubro, terá um plantio da soja mais fraca, pois são as sojas que sentiram mais com o clima. Agora os plantios que foram feitos um pouco mais tarde, entre dia 15 e 20 de outubro, em que o clima estava um pouco melhor, estão muito melhores que os plantios de setembro. A soja está um pouco mais nova e conseguiu se desenvolver mais, então temos que aguardar, pois não tem muito o que fazer”, finalizou.

O engenheiro agrônomo e diretor do Escritório de Desenvolvimento Rural de Assis (EDR) da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), Cristiano Geller, destaca que as chuvas foram mesmo esporádicas e que isso pode afetar a produção de soja na região, mas que ainda é cedo para avaliar os prejuízos.

"As chuvas realmente não foram muito boas, mas agora o clima deu uma melhorada. Chegou sim a faltar água em algumas situações na nossa região e de fato não choveu o quanto precisava para uma boa produção de soja, mas é um pouco cedo para avaliar o prejuízo. O calor também prejudica bastante a soja plantada mais cedo, que na fase de enchimento de grão precisa muito de água. Mas agora vamos aguardar”, avaliou.

Ele reforça que a região do Vale do Paranapanema tem mais de 150 mil hectares de plantação de soja e que essa área já foi considerada a maior área do Estado de São Paulo.

"Hoje é a segunda maior área de plantação de soja do Estado de São Paulo e esse prejuízo pode refletir na economia local, na queda da produtividade, no rendimento do produtor rural e, dependendo do caso, até nas vendas das máquinas agrícolas, mas acredito que não chegará a tanto. Por isso o momento é de esperar, pois não dá para avaliar ainda”, finalza.


Plantação de soja na Água do Cervo, região de Assis



Engenheiro agrônomo da JF Insumos Agrícolas, Matheus Fernandes


Variedade Tmg 7063 é plantada na região de Assis


Redação AssisCity/Foto: AssisCity
+ VEJA TAMBÉM