21 de Agosto de 2019
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Brumadinho

COLUNISTA - Elda Cecília Bolfarini Jabur

Uma cidade encantada, cravada no coração de minas Gerais. Lá o povo vivia feliz. Mas há muito tempo estava amedrontado. Tinham pesadelos quando dormiam, principalmente depois do rompimento da represa de Mariana.

As brumas entorpeciam suas consciências? Eles permaneceram ali, mesmo diante de uma catástrofe anunciada. Mesmo porque muitos motivos impedem mudanças de comportamento bruscas, como por ex., mudar de casa e de local.

Assim como as dos detentores do poder? Eles sabiam que o rompimento da barragem estava para acontecer. Os laudos feitos pelos peritos foram encomendados.

Vejamos o significado da palavra bruma.

Será uma simples coincidência?

Bruma nos remete a nevoeiro, nebulosidade causada por gotículas de água que ficam suspensas no ar e diminuem a visibilidade.

Como percebemos, a visibilidade dos moradores de Brumadinho estava comprometida. Não conseguiam tomar atitudes efetivas para que a catástrofe não ocorresse.

Até que o violento e denso lamaçal arrasasse o povoado.

No sentido figurado.

Encontramos o significado vago, o que não se compreende facilmente. Pairava no ar, além das invisíveis gotículas de água, um vento que soprava da represa, a água que minava sorrateiramente a estrutura da barragem, colocava em sua mira a possibilidade de um rastro de morte ameaçador.

O termo combina também com:

--lacunas: aquelas deixadas por relatórios evasivos, não verdadeiros, onde os técnicos atestavam que tudo estava certo, que a barragem estava segura e nada aconteceria.

---evasão: aquela imensa contenção de água e ferro, chamados rejeitos detonariam a barragem da Mina do Feijão.

---vazio: aquela barragem se esvaziaria, estornariam sobre o vale, abrindo um rio de lama comparadas a lavas incandescentes de um vulcão. O pior, cobrindo de lama pútrida os trabalhadores e moradores que estavam ao seu alcance.

Um membro de Greenpeace disse: "a represa vomitou”, matado tudo no seu caminho, seres humanos, flora e fauna.

Sabemos como funcionam as instituições políticas do pais.

A base do dinheiro da corrupção, tirados dos impostos que pagamos. Deputados foram comprados para permitir que a barragem, assim como muitas outras de Minas Gerias continuassem operando.

As nossas homenagens ao tenente PEDRO AIHARA.

Assim estendemos nossa admiração à todos os bravos bombeiros que enfrentaram e ainda enfrentam o terrível lamaçal à procura de corpos e sobreviventes.

Pedro Aihara foi o porta voz dos bombeiros em Brumadinho (M.G.).

Aos 26 anos, o tenente ficou à frente das atualizações sobre a tragédia e conquistou a simpatias dos brasileiros.

Ele tornou-se um tornou-se um símbolo de competência, exemplo para milhões de brasileiros que preferem viver na marginalidade.

"Ele afirmou: "Essa profissão de poder salvar alguém é realmente tem um que de divino(...) A gente tem oportunidade de ser uma das pessoas mais importantes no dia mais difícil na vida de alguém”.

Os donos da Vale, se é que vale alguma coisa, deveriam retirar com escavadeira, tratores e frota de caminhões toda aquela lama fétida que cobriu todo o leito do rio. Não importa o tempo e dinheiro que pagariam por isso. Seria uma pequena compensação pelos anos não cumpridos na cadeia. Nós sabemos, poderosos não vão para a cadeia, isso ainda é uma raridade.

Novas brumas.

Venham encobrir aquele povoado,

Trazendo nuvens de felicidade,

De amor, perdão e pensamento positivo´

Levando toda dor, depressão e tristeza,

Que outras nuvens e ventos,

Impeçam outras tragédias,

E rompimentos de outras barragens.

DEUS do nosso coração,

Preserve o querido estado de Minas Gerais,

Tantas riquezas ele tem gerado,

Desde o início da colonização do Brasil.

ASSIM SEJA.

Elda Cecília Bolfarini Jabur
Elda Cecília Bolfarini Jabur
é professora de História formada peLa Unesp de Assis. Trabalhou no Sesi e no Estado até aposentar-se. Há muito tempo dedica-se a escrever para jornais, faz óleo sobre tela e pertence à Ordem Rosacruz - AMORC há mais de 30 anos. Reside na Cidade de Cândido Mota/SP.
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