18 de Julho de 2019
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Polícia Civil de Assis e MP deflagram operação contra fraude em vestibulares para cursos de medicina

Direção da FEMA teria descoberto que terceiras pessoas haviam se passado por cinco candidatos e realizaram as provas em abril de 2017

A Polícia Civil de São Paulo, através da Delegacia Seccional de Polícia de Assis (DEINTER-8) e em parceria com o Ministério Público do Estado de São Paulo, deflagrou nesta sexta-feira, 12, a Operação ASCLÉPIO, com objetivo de combater uma organização criminosa que realiza fraudes em vestibulares para curso de medicina.

As investigações tiveram início após a notícia de um possível esquema de fraude no vestibular para o curso de medicina da Fundação Educacional do Município de Assis (FEMA), ocorrido em abril de 2017. A direção da Fundação teria descoberto que terceiras pessoas haviam se passado por cinco candidatos e realizaram as provas.

Entretanto, a entidade organizadora do certame, a VUNESP, constatou inconsistências nas identificações datiloscópicas, nas assinaturas na folha de respostas e também nas imagens captadas dos candidatos com as coletadas dos alunos aprovados e posteriormente matriculados no curso.

Assim, foi instaurado o Inquérito Policial nº 01/2018 para apurar os crimes de Organização Criminosa (art. 2º da Lei nº 12.850/2013), Estelionato (art. 171 CP) e Falsificação de Documento Público (art. 297 do CP).

No curso das investigações, identificou-se A. de O. como a principal articuladora do engenhoso esquema de venda de vagas para ingresso no curso de medicina e, igualmente, no processo seletivo de transferência de alunos para o mesmo curso em faculdades do Estado de São Paulo, tudo mediante pagamento de valores entre R$ 80.000,00 e R$ 120.000,00 por vaga, negociados de forma parcelada ou até mediante permuta de bens móveis e imóveis.

Com o avanço das diligências, apurou-se a constituição de sofisticada organização criminosa composta de três grupos, todos interligados: 1) Grupo Familiar; 2) Grupo dos Captadores e vendedores de vagas; e 3) Grupo de Intermediários na Universidade Brasil.

O primeiro grupo da organização criminosa é comandado pelo investigado que coordena detalhadamente todas as ações. Ele também se vale dos trabalhos de vários de seus familiares para organização, preparação das ações criminosas, recebimento e ocultação dos proventos ilícitos.

O segundo grupo surgiu pela necessidade de trazer captadores e vendedores de vagas, pois como o número de aluno é enorme, o investigado apenas com seus familiares não teria condições de atender a oferta de vagas em Universidades particulares e a procura dos alunos, valendo-se de outras pessoas para compor o esquema criminoso.

O terceiro grupo é o de pessoas ligadas à Universidade Brasil, que possui faculdade de medicina com campus em Fernandópolis/SP, sem os quais seria impossível o êxito do engenho criminoso, sendo identificados também como integrantes da organização criminosa.

A operação contou com a participação de 350 policiais civis apoiados em cada região do Estado, Policiais Civis de Minas Gerais e Promotores de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo.

Ao todo, foram 17 prisões temporárias cumpridas e 55 buscas autorizadas pela Justiça.

A Polícia Civil de Assis busca identificar investigados que a quadrilha usava como "clone” para fraudar os vestibulares. Quem souber da identidade de referidas pessoas pode auxiliar através do telefone 181 (disque denúncia), pelo e-mail [email protected] ou pelo site https://www.webdenuncia.org.br.

Até o momento da deflagração da operação, não foi possível identificar as pessoas que se passaram pelos reais candidatos do vestibular, porque há forte suspeita de serem de outros estados da federação.

A FEMA divulgou uma nota de esclarecimento sobre a Operação.

"A Fundação Educacional do Município de Assis (FEMA), que sempre teve suas atividades pautadas pela transparência e pela lisura, se manifesta sobre a operação que investiga fraudes em vestibulares de Medicina no Brasil.

A FEMA esclarece, antes, que todo o processo do vestibular para o curso de Medicina da FEMA é organizado e aplicado por funcionários da Fundação Vunesp.

Sobre o processo de 2017, a FEMA descobriu inconsistências no reconhecimento dos candidatos, informou à Polícia e abriu, imediatamente, um processo administrativo interno para averiguação dos fatos. Os envolvidos tiveram suas matrículas canceladas, reforçando o compromisso da instituição com os processos legais.

A FEMA reafirma sua transparência e ética em suas atividades e está à disposição da comunidade e da Polícia para mais esclarecimentos", conclui.


Itens apreendidos pela Civil durante Operação ASCLÉPIO


Organização criminosa realizava fraudes em vestibulares para curso de medicina


Venda de vagas ocorria mediante pagamento de valores entre R$ 80.000,00 e R$ 120.000,00


Redação AssisCity com informações do Deinter-8
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