13 de Novembro de 2019
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Advogado sai em defesa de jovem que pichava muro em Assis, é detido e acusa a PM de racismo

Durante a manhã de sexta-feira, 14 de junho, já no final de um ato contra a reforma da Previdência Social, policiais militares abordaram uma jovem que pichava o muro do Cinema Municipal Piracaia de Assis, momento em que um advogado interviu na ação da polícia em defesa da jovem. Ambos acabaram detidos e encaminhados para a Central de Polícia Judiciária.

O caso ganhou repercussão nas redes sociais porque o advogado afirma que foi tratado com desrespeito e por ser negro. Segundo o capitão PM Fernando Xavier, Comandante da 1 Cia do 32º Batalhão de Polícia Militar de Assis, os policiais acompanhavam a manifestação oferecendo maior segurança aos participantes quando avistaram a jovem pichando os muros do cinema e a abordaram.

"A jovem seria detida por dano ao patrimônio público e crime ambiental, quando um homem se aproximou, tentando impedir a ação dos policiais e se identificou como advogado. Neste momento os policiais pediram para que ele informasse seus dados funcionais, o que ele se recusou a fazer, então os policiais solicitaram sua identificação pessoal, que também foi negada; este homem além de se recusar a identificar-se, ainda interferiu na ação dos policiais, incitando os demais participantes da manifestação, que até então seguia de forma pacífica, fazendo com que os policiais solicitassem reforço da equipe da Força Tática. Qualquer pessoa tem a obrigação de se identificar durante uma abordagem policial”, explicou o oficial.
Ainda de acordo com a versão da PM, com a chegada da equipe da Força Tática, o homem xingou os policiais, o que configura crime de desacato, e quando seria detido por esta prática também resistiu a prisão.

"Os dois foram colocados dentro da viatura, e conduzidos a Central de Polícia Judiciária, onde foram registrados os devidos boletins de ocorrência e ambos liberados na sequência”, justificou.

Ao AssisCity o advogado disse que está traumatizado e acusa os policias, que estavam na ocorrência, de racismo e que foi rebaixado a algo pior que um animal. "A tortura física se deu quando abriram a caçamba de trás da viatura e jogaram no meu rosto a queima roupa o spray de pimenta. Nesse momento eu desesperei pelo que passei com o gás, nisso saltei de cabeça do porta malas da viatura e fiquei no chão, ocasião em que um policial veio jogar água na minha cara pra potencializar o efeito do gás. Nisso eu estava no sol, enquanto eles falavam as inverdades ao delegado do meu caso. Tudo isso algemado. A qual eu gritava pra ser atendido por um delegado”, relatou.

O advogado informou ainda que não se recusou a identificar-se. "Não me recusei pois eles pegaram minha carteira com todos os documentos e começaram a me denegrir dizer que eu não podia ser advogado, etc. Aí fui pegar o celular pra ligar pra OAB local eles tomaram meu celular. Aí eles me algemaram, e me pegaram em três policiais e jogaram na viatura, no chiqueiro algemado, eu pedindo pelas prerrogativas fui humilhado e rebaixado a pior que animal, e jogaram spray de pimenta na minha cara. Chegando na delegacia sabendo que tenho claustrofobia abriram a parte de trás e me jogaram spray de pimenta, nessa oportunidade pulei da viatura algemado e pedi pra ser algemado no banco de ferro mas que fosse local aberto. Gritei pelo artigo 5º da Constituição Federal e pelas garantias; pois sabia que não devia estar ali naquela situação; tudo vai ser devidamente comprovado por meio de provas”, explicou.


Questionada sobre às acusações de racismo e agressão feitas pelos policias ao advogado, a PM relatou. "Sendo ele um advogado, e conhecedor da lei, sabe que não pode se recusar a se identificar à policiais no exercício da profissão, assim como não é permitida a interferência na ação da polícia. No momento da detenção ele deu cabeçadas contra a viatura, tentando se auto lesionar, a cena presenciada tanto pelos policiais, quanto por pessoas que participavam da manifestação, constando o ato no boletim de ocorrência”, concluiu.


A jovem pichava a parede do cinema, na rua Brasil


Redação AssisCity/ Foto: Mário Nunes
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