08 de Abril de 2020
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Guedes anuncia auxílio mensal de R$ 200 a autônomos durante a crise do coronavírus

Medidas requerem que Congresso aprove estado de calamidade; pedido foi enviado nesta quarta. Sem isso, Economia terá que bloquear R$ 40 bi em despesas, diz ministro

O ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou nesta quarta-feira (18) um auxílio mensal de R$ 200 a profissionais autônomos durante a crise do coronavírus. A medida busca garantir renda àqueles trabalhadores que não têm rendimentos fixos e, em geral, também não contribuem para a previdência.

"O povo sai da rua, não tem ninguém mais tomando táxi? O chofer de táxi pode passar na Caixa Econômica Federal, ou no [posto do INSS> mais próximo, ou virtualmente", afirmou Guedes.

A medida, segundo o ministro, está dentro de um pacote de R$ 15 bilhões voltado para "populações desassistidas". Para que esse dinheiro seja liberado, Guedes diz que o Congresso Nacional precisa reconhecer o estado de calamidade pública no país.

O pedido foi anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro nesta terça (17) e enviado ao Congresso nesta quarta. Os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), já disseram que apoiam a medida e que devem acelerar a aprovação nos plenários.

Paulo Guedes explicou que, se a calamidade for reconhecida, o governo pode ampliar o gasto público com o enfrentamento ao coronavírus sem o risco de punição pelo descumprimento da meta fiscal definida na lei.

A ideia é que esses R$ 15 bilhões sejam empregados nos próximos três meses. As medidas não foram detalhadas na coletiva, no Palácio do Planalto. O G1 tenta mais informações junto ao Ministério da Economia.

Divulgação - O Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, o Presidente da República, Jair Bolsonaro, o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o Presidente da Anvisa, Antônio Barra
O Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, o Presidente da República, Jair Bolsonaro, o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o Presidente da Anvisa, Antônio Barra


Guedes informou que o dinheiro também vai ajudar "essas pessoas que estão hoje desassistidas, estão no Cadastro Único [para Programas Sociais>", mas que não recebem Bolsa Família nem Benefício de Prestação Continuada (BPC).

"Isso assegura manutenção de quem está sendo vitima do impacto econômico. Não recebem nada de ninguém, é uma turma valente sobrevivendo sem ajuda do Estado e são atingidos agora. Precisam ter recursos para a manutenção básica. Serão 5 bilhões por mês, por três meses, R$ 15 bilhões [ao todo>", declarou.

Risco de bloqueio

Segundo ele, sem a aprovação do decreto enviado pelo Legislativo ao Congresso, a área econômica terá de levar adiante um bloqueio de gastos orçamentários de cerca de R$ 40 bilhões nos próximos dias. Isso, em um momento que exige estratégia contrária para combater os efeitos do coronavírus – ou seja, elevação dos gastos.

"Mostramos que haveria um contingenciamento de quase R$ 40 bilhões, em um momento que a economia precisa de um esforço contracíclico. Teríamos de agudizar a crise contingenciando [bloqueando> R$ 40 bilhões. Não é razoável", declarou o ministro.

Mais medidas

Paulo Guedes afirmou ainda que a equipe econômica continuará anunciando medidas a cada 48 horas para combater os efeitos da desaceleração econômica, acentuada pela pandemia do coronavírus.

Segundo ele, o governo vai renegociar as dívidas de empresas aéreas, em dificuldades por conta da suspensão de voos.

"Estamos vendo também como auxiliar uma parcela [das empresas>, com o Estado bancando para as micro e pequenas empresas, só os pequenos, uma parte do salário. Tudo isso vai ser anunciado", concluiu o ministro.

G1
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