Por unanimidade do corpo de sentença, a ré Cristiane Alves da Costa, que aos 21 anos de idade matou o marido Fernando Rodrigues Benedito com uma facada no peito, em 29 de janeiro de 2006, foi absolvida quarta-feira (13) no júri popular realizado no Fórum da Comarca de Cândido Mota.

O advogado da acusada, Roldão Valverde, fez seu trabalho baseado na tese de legítima defesa e na Lei Maria da Penha, que criou mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Quando ouvida, a ré disse à juíza Renata Scudeler Negrato que matou o marido durante mais uma das frequentes agressões físicas as quais ele a submetia. A mulher alegou legítima defesa da vida.

A juíza abriu a palavra ao promotor de justiça Rogério Pinheiro Pagani, que após explanações voltou-se aos sete jurados e disse “se eu fosse os senhores, eu absolvia a ré”. Foi o que aconteceu.Roldão Valverde teria 1h30 para falar, mas diante o que foi dito pelo promotor, pronunciou que não queria mais que 16 minutos, devido à solicitação do promotor ao corpo de sentença. “O Dr. Rogério foi brilhante, um grande promotor de justiça e, não de acusação”, elogiou.

No dia do crime, praticado na casa onde morava com o marido e três filhos pequenos (de um, dois e quatro anos de idade), Cristiane foi presa em flagrante de homicídio.

Os dois filhos do casal ficaram com os pais de Fernando (vítima). O outro, de quatro anos, fruto de relacionamento anterior de Cristiane, foi entregue ao Conselho Tutelar e, adotado por uma família.

Após seis meses na prisão, o advogado conseguiu um hábeas corpus e Cristiane foi colocada em liberdade, voltando posteriormente ao cárcere, por ter saído do município de Cândido Mota sem avisar a justiça. Mais uma vez Roldão conseguiu a liberdade dela. Depois disso a jovem teve mais dois filhos. Ao término do julgamento, a mulher manifestou que pretende “começar uma nova vida”, e foi embora para a cidade de Mariluz, no Paraná

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