26 de Janeiro de 2022
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A possível crise no mundo da moda e o anúncio do novo calendário do SPFW

O anúncio do novo calendário da semana de moda do SPFW causa polêmica nas redes sociais

Tudo começou com a mudança do calendário de Paris, algumas marcas não aceitaram, mas outras já se adaptaram e estão caminhando para a mudança e essa semana (04/03) Paulo Borges, criador e organizador da semana mais famosa de moda do Brasil anunciou novo calendário dos desfiles.

Há 3 anos o SPFW fez mudanças de modo a deixar as marcas com mais tempo de entrega das coleções. O desfile acontecia e a marca tinha até 6 meses pra se organizar com show room. Em outubro era apresentada a coleção de outono-inverno, e abril primavera-verão.

A nova medida busca aproximar os desfiles ao calendário do varejo, isso é, dos compradores, dos clientes. Ele afirma que com a velocidade da internet isso afeta diretamente o relacionamento da marca com o cliente, por isso após os desfiles as peças têm que estar prontas pra comercialização.

Os desfiles passarão a acontecer em fevereiro e julho. Na entrevista ao jornal Estadão, Paulo Borges fala que a nomenclatura ligada à estação também não será mais usada e anuncia a saída do célebre Alexandre Herchcovitch da semana de moda. Essas mudanças só entrarão em vigor no ano de 2017; esse ano o calendário permanece.

"Enquanto a semana de moda de Nova York avaliava se mudava o calendário, apresentando o verão no verão e o inverno no inverno, a Burberry mais uma vez saiu na frente e anunciou a grande mudança há poucos dias, alinhando o varejo ao desejo do consumidor. As roupas do desfile estarão nas lojas da marca logo após a apresentação. De forma instantânea. Quando tudo é transmitido em tempo real, com live stream, câmeras 360 graus, Instagram, Snapchat e Twitter, de fato não há mais novidade após seis meses, quando essas coleções chegam às lojas. Em poucas horas, da passarela ao backstage, tudo já foi postado. Pela marca, pelo estilista, pelas modelos, pelo público, pelas editoras. E todo o esforço em torno do desfile se perde e é difícil traduzi-lo em vendas e lucros. Você cria toda essa energia em torno do desfile, daí ele acaba e você diz: agora esqueçam porque ele não estará nas lojas nos próximos seis meses", disse Christopher Bailey, CEO e diretor criativo da Burberry, ao BoF." (Trecho da matéria do site FFW)

Como essas mudanças afetarão o sistema da moda

• A nomenclatura inverno ou verão vai cair, graças à Deus, porque no Brasil é calor o ano todo praticamente. Segundo Paulo: "as pessoas compram moda por desejo não importa se é inverno ou verão".

• O Brasil terá um calendário próprio não dependendo do calendário europeu.

• A mudança afetará diretamente as grandes marcas que dependem da logística desse intervalo de tempo para se organizar; muitas empresas podem quebrar.

• A mudança vai favorecer as pequenas marcas.

• Teremos uma aproximação do objeto de desejo ao real, algumas empresas que se apoiam em coleções conceituais terão dificuldades na venda. Isso afetará diretamente o estilista-artista.

• Vamos viver a era da originalidade, com as coleções no dia seguinte ocupando as araras; não haverá tempo para cópias. E só vai sobreviver a marca que tiver identidade e conseguir seduzir e fidelizar seu cliente.

• Poderemos viver uma crise de identidade. Deixa eu explicar o porquê... O que move a indústria da moda é o desejo. Existe uma linha entre o SER X PARECER; as pessoas consomem moda para se parecerem com os artistas, músicos, atores e celebridades que tiveram acesso àquela determinada roupa antes dos pobres mortais. Com o acesso imediato, as peças, desejo dos desfiles, qualquer pessoa normal com poder aquisitivo equivalente poderá ter aquelas peças.

• O sistema de moda poderá entrar em colapso. A burguesia acabará se parecendo com a nobreza! O sistema de moda que conhecemos hoje foi popularizado no século IXX com a revolução industrial. Os novos ricos, os burgueses queriam se parecer com a nobreza e teve início ao ciclo de moda mais comum que vivemos hoje. Formadores de opinião e celebridades usam primeiro, junto ou posterior aos desfiles, em seguida alguns exemplares chegam às lojas, até caminhar para os grandes magazines e vemos a tendência massificada nas ruas. Isso será uma revolução no mundo da moda.

• Vivemos a era do imediatismo e as marcas que forem mais criativas vão se sobressair.

• Teremos um retrocesso ao sistema de produção, peças exclusivas feitas sob medida, ou feitas à mão como nos séculos IXX e XX, pelos alfaiates serão valorizadas. A Chanel começou assim.

Como estilista, tudo que tenho à dizer com relação a tantas mudanças é que essa nova medida vai revolucionar o sistema de moda. A valorização pelo exclusivo, único e feito sob medida vai imperar! Ninguém vai querer ser igual, ou vestir igual.... Vamos esperar pra ver o que acontece.

Até o próximo post
Beijinhos :-*



Pesquisei nesses sites pra poder escrever pra vocês:

http://m.vida-estilo.estadao.com.br/noticias/moda,paulo-borges-anuncia-mudancas-radicais-na-spfw,10000019423
http://www.gazetadopovo.com.br/viver-bem/moda-e-beleza/spfw-anuncia-novo-posicionamento-em-seu-calendario/
http://ffw.com.br/blog/business/entenda-a-mudanca-de-calendario-que-ira-transformar-o-sistema-de-moda/
http://ffw.com.br/noticias/moda/spfw-e-a-primeira-semana-de-moda-no-mundo-a-se-alinhar-com-o-varejo/
Natália Piovezani
Natália Piovezani é estilista de formação, dona das marcas mais tops do interior a Cherry Pop tem um ateliê de costura, ama moda e principalmente falar sobre moda, adora: ler, arte, decoração e beleza, assistir bons filmes; se arrisca na cozinha e acredita que um bom vinho aquece a alma. Mãe (do Bernardo) esposa, empresária, gestora, culinarista amadora, professora, blogueira, palpiteira sobre beleza e decoração tudo junto ao mesmo tempo
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