17 de Setembro de 2021
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Setembro Amarelo: pandemia não aumenta casos de suicídio no Brasil, mas números ainda são preocupantes

Relatório mostra que, no Brasil, foram registrados 12.895 casos de suicídio em 2020 e 12.745 casos em 2019

Estudos publicados em 2021 relacionando suicídio com a pandemia do coronavírus apontaram que, diferente do que muitos imaginavam, a crise sanitária não aumentou o número de suicídios no mundo. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2021, divulgados em julho pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostram que o número de suicídios no Brasil em 2020 sofreu uma variação de 0,4% em relação a 2019. Foram 12.895 casos em 2020 e 12.745 casos em 2019.

Os dados, entretanto, não diminuem a importância do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, comemorado no dia 10 de setembro, e que também dá origem ao Setembro Amarelo. Para o psicólogo e neurocientista Marcus Vinicius Alves a pandemia trouxe também uma procura maior das pessoas pelo cuidado com a saúde mental, não só com ajuda de psicólogos e psiquiatras, mas também com o implemento de hábitos saudáveis e maiores discussões sobre saúde mental, principalmente com o auxílio de plataformas digitais.

"Houve um aumento de coesão na comunidade e senso de pertencimento que pode ter ajudado este processo, ou seja, a sensação de que estávamos todos passando pelo momento juntos costuma ser protetiva nestes momentos de crises nacionais. Não apenas isso, mas as pessoas estão falando mais dos seus estados mentais nesse momento, menos inclinadas a ocultar sentimentos e ansiedades, tendo em vista que estamos mais abertos enquanto sociedade a ouvir e cuidar uns dos outros", explica Marcus, que também é professor da Rede UniFTC.

Apesar dos números não terem aumentado na pandemia, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2021 também revelou uma crescente nos casos de suicídio no Brasil. Isso levando em conta dados de anos anteriores, como em 2012, que foram registrados 6.905 casos - pouco mais da metade do registro do ano passado.

Percebendo os sinais - Embora os números não demonstrem crescimento de casos de suicídio na pandemia, os dados ainda são preocupantes. O psiquiatra e professor de Medicina da UniFTC, Francisco Medauar, destaca que, por conta disso, é importante também perceber sinais que devem ser olhados com cuidado. Como exemplo têm os sinais verbais (expressão de desesperança, falar sobre se suicidar), comportamentais (isolamento de amigos e familiares, uso abusivo de drogas), e de humor (depressão, ansiedade, raiva).

"Tem vários sinais que a gente pode prestar atenção. Por exemplo, o sofrimento mental, no qual a pessoa tende a ficar mais chorosa ou mais irritada. Pode acontecer também uma queda de produtividade no trabalho ou nos estudos. Outra coisa que pode ocorrer são alterações de sono, de apetite e de peso. Com o tempo, e isso piorando, ela tende a falar frases do tipo 'queria sumir', 'queria desaparecer', 'queria não voltar mais'. Estes são sinais que podem um dia evoluir para um suicídio", pontua Medauar.

O psicólogo Marcus Vinicius recomenda nunca tratar a situação como 'bobagem'. "O mais importante é entender que muitas vezes as pessoas não percebem os sinais, sendo necessário estar sempre atento ao outro indivíduo e, principalmente, nunca ignorar esses sinais", explica.

Já o psiquiatra Francisco Medauar pontua a importância de analisar a situação para saber a melhor maneira de agir. Ele recomenda que, se a pessoa for íntima, prestar acolhimento. "Para isso podemos mostrar que estamos lá para ajudar, que o suicídio não é a solução, que ela pode melhorar e chorar. Chorar é saudável".

Contudo, se não houver grau de intimidade com o indivíduo que apresenta ideações suicidas, o médico aconselha procurar a família ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). "O Samu vai conseguir fazer o resgate da pessoa e oferecer assistência médica e psicológica, além de levar esta pessoa para alguma emergência psiquiátrica".
Divulgação
Bem-Estar
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