02 de Julho de 2022
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Entretenimento - Colunistas

A guerra não tem rosto de mulher

Svetlana Aleksiévitch

Mas tem os sentimentos da mulher. Sentimentos que ficam escondidos no âmago de seu ser.

Reescrita audaciosa da segunda guerra mundial, vencedora do prêmio Nobel da Literatura em 2015.

Fez muitas entrevistas com garotas franco -atiradoras, voluntárias, que pilotavam tanques, atuavam como enfermeiras nos hospitais de campanha.

..."ouviram o chamado da pátria e foram combater as tropas nazistas de Adolf Hitler.".

Esse livro foi escrito sobre a segunda guerra mundial. A autora fez questão de mostrar os sofrimentos da guerra, através de depoimentos chocantes de mulheres, adolescentes, meninas, milhares delas. Saíram do seu lugar de conforto, a casa acolhedora, empunhando armas para defender seu país contra os ataques violentos dos nazistas. Eram alemãs, numa fase em que a mulher é cheia de sonhos. Principalmente o de um mundo melhor.

Ela disse:. "para as mulheres, é insuportável e angustiante matar, porque a mulher dá a vida".

A autora disse que não conheceu um mundo sem guerra. Toda sua família foi dizimada pela guerra. Seus pais e onze parentes foram queimados vivos pelos alemães.

Holomodor.

Ouviu falar sobre essa terrível fome imposta por Stálin na Ucrânia, através de sua amiga Oksana. Já não encontravam nem sapos ou ratos. Tinham comido tudo.

Momentaneamente sua amiga se salvou porque a noite roubava estume de cavalo e comia.

Durante suas caminhadas, foi ouvindo relatos terríveis de soldados e milhares de mulheres que participaram da guerra.

Um soldado russo contou que estavam há quatro anos sem mulheres. Capturaram umas moças alemãs. Cada dez homens estupravam uma. Meninas de doze , treze anos. Se choravam, batiam nelas. Enfiava, algo em suas bocas para não ouvirem seus barulhos. Estavam tão insensíveis que achavam engraçado sentirem dor.

Por incrível que pareça, estamos vendo novamente esses horrores na guerra contra a Ucrânia.

Alguns relatos sobre insanidades na guerra. Elas não são humanas, são diabólicas.

Uma das combatentes: recebeu a incumbência de colocar veneno no caldeirão de sopa dos partisans (guerrilheiros judeus).

..."qual é a diferença entre a morte e assassinato, onde está a fronteira entre o humano e o desumano?

Quanta ironia, agora o bandido do Puttin chama os ucranianos de nazistas.

Quase um milhão lutaram nas fileiras do Exército Vermelho. Suas histórias nunca firam contadas em detalhes. A guerra sempre foi vista como uma coisa de homens. Nunca bastou o sofrimento de verem seus maridos e filhos mandados para a guerra, serem violentadas, assim como seus filhos. E essa participação na linha de frente da batalha nunca foi contada tão minuciosamente como agora.

"Elas evocam sujeira e frio, fome e violência sexual, angústia e sombra onipresente da morte".

A autora disse não ter conhecido um mundo sem guerras. Toda a sua família foi dizimada por ela. Seu pai e onze parentes distantes, com os filhos, foram queimados vivos por alemães durante a infância.

O mesmo que estamos vendo todos os dias os horrores de uma nova guerra, incitada pelo nojento Puttin. Ele ousa, como muitos ouros da história, armar soldados ( de soldie: salário). Porque recebem em dinheiro por seus feitos escabrosos, obedecendo cegamente um sujeito que é tido atualmente como um dos homens mais ricos do mundo. E acobertado também por bilionários russos que exploram o povo a base do medo e da retaliação. Quem ousa ir contra as ordens desse frio e asqueroso ditador?

Ela resolveu escrever um livro sobre a participação feminina na guerra, expondo suas dores e medos. Disse: " A vila depois da guerra era feminina".

E o que vemos agora na Ucrânia?

Novamente a destruição . Não somente de pessoas, mas do seu patrimônio. Todos sabemos como é difícil construir uma casa, estudar os filhos e dar um futuro a eles. E de repente, tudo devastado. Como ficar insensível a dor de crianças e idosos, passando fome e frio?

Para as mulheres, disse a escritora, é..."angustiante e insuportável matar, porque a mulher dá a vida".

Ouviu falar pela primeira vez sobre a terrível fome na Ucrânia imposta pelo ditador Stalin .O "HOLOMODOR".

Relatos de sua amiga Oksana.

A fome foi intensa. Todos os alimentos foram retirados, submetendo a população a uma dor tão intensa, que só pode ser superada pela morte.

Comiam todos os insetos que encontravam, até sapos e ratos. Oksana se salvou porque a noite roubava estrume de cavalo do estábulo para comer. Mas não adiantou, foi morta logo.

ASSIM ESTÁ ACONTECENDO COM OS UCRANIANOS.

Seus depósitos de água são atacados, os cereais vendidos para o mundo, estão presos nos portos, impedidos de serem vendidos. E com isso, uma onda de inflação nos alimentos, tem se estendido para todo o mundo.

Relatos horríveis de um soldado russo.

"Estávamos há quatro anos sem mulheres. Capturamos uma moças alemãs. Dez homens estupravam uma. Meninas de doze, treze anos. Se choravam, batíamos nelas, enfiávamos algo em suas bocas para que não chorassem. Sentiam dor e achávamos engraçado".

Assim fazem agora os soldados russos. Infelizmente os horrores da guerra se repetem.

Os relatos feitos por essa escritora são inúmeros. Seria muito bom se estivéssemos comentando fatos de guerras passadas. Mas infelizmente vemos que a ganância pelo poder ,pelo prazer de submeter uma pessoa a coisas horrendas, se repetem.

È com um sentimento de imensa tristeza que relato esses fatos. Um grande inconformismo de saber que vivemos num mundo onde impera a falta de evolução.

É nesse mundo que temos que nos adaptar. Tentar fazer algo que esteja ao nosso alcance e tentar de alguma forma aliviar os sofrimentos de pessoas ao nosso redor. Não viver como se fossem invisíveis e nada estivesse acontecendo.

Divulgação - Elda Cecília Bolfarini Jabur - Professora de história formada pela Unesp de Assis - Foto: Divulgação
Elda Cecília Bolfarini Jabur - Professora de história formada pela Unesp de Assis - Foto: Divulgação


Vivemos num país de imensas desigualdades. Também uma guerra silenciosa que acontece.

Particularmente, é com muita apreensão que vejo esse momento de escolha de novos representantes. Acho que teremos mais da velha estrutura de corrupção instalada no país desde os tempos de Brasil colônia.

A campanha feita para os jovens votarem. Com a atual dicotomia existente, uma politica feita a base de fakenews, o que podemos esperar?

Mais do mesmo, uma corja que se instala no poder para tirar vantagens. Desde o que está embaixo, como o que está acima.

Migalhas para o povo. Como sempre foi.
Elda Cecília Bolfarini Jabur
Elda Jabur
é professora de História formada peLa Unesp de Assis. Trabalhou no Sesi e no Estado até aposentar-se. Há muito tempo dedica-se a escrever para jornais, faz óleo sobre tela e pertence à Ordem Rosacruz - AMORC há mais de 30 anos. Reside na Cidade de Cândido Mota/SP.
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