05 de Julho de 2020
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Bolsonaro, o dono da bola

COLUNISTA - Eduardo Oliveira

A exoneração de Luiz Henrique Mandetta, dos DEMOCRATAS, do cargo de Ministro da Saúde na última quinta-feira, 16, evidencia cada vez mais
que o presidente Jair Bolsonaro é uma figura irresponsável e egoísta. Ele possui as características de uma pessoa mimada, que não aceita ser
contrariada.

Ao longo dos próximos parágrafos, o leitor é convidado a refletir um pouco sobre o governo Bolsonaro, o qual nos coloca em um ônibus, cujo
motorista dirige embriagado e na contramão.

No decorrer de quase completados 16 meses de Bolsonaro na presidência, nos deparamos com diversas polêmicas nas quais negou diversos fatos,
como o episódio das queimadas na Amazônia, em agosto passado; exaltou o período da Ditadura Civil-militar, de 1964 – 1985, além de incentivar as
polêmicas na área da educação, onde o seu ministro, Abraham Weintraub, polemiza em redes sociais, atacando as universidades públicas e o patrono
da educação nacional, reconhecido em diversos países do mundo, Paulo Freire, entre tantas outras polêmicas, as quais colocam nossa nação em
descrédito.

Não bastasse as referidas polêmicas, a mais agravante e atual é a falta de importância dada à pandemia de coronavírus, COVID-19, onde Bolsonaro
confrontou diversas vezes a ciência, os governadores de estados e o ex-ministro da Saúde, os quais mostraram lucidez no combate ao vírus.
Bolsonaro sabe que o projeto econômico de Paulo Guedes, Ministro da Economia, está indo de mal a pior, e com a pandemia, sem dúvidas a
situação vai se agravar, não só no Brasil, como em todo o globo, tendo em vista que as perspectivas, segundo especialistas são as piores desde a crise
de 1929.

Assim, Bolsonaro contraria a ciência ao incentivar o fim do isolamento, e demitir Mandetta, o que exalta o preciosismo de quem não quer perder o
protagonismo, visto que o ex - auxiliar estava sendo bem avaliado, por defender a vida e liderar o País no combate ao inimigo microscópio. O
presidente já está se preparando para colocar a culpa no fracasso econômico de seu governo naqueles que defendem o isolamento social,
comportamento este de uma pessoa que só pensa em seu próprio umbigo.

Por fim, resta esperar qual será o comportamento do novo ministro da Saúde, Nelson Teich, que é reconhecido pelos seus pares como grande
profissional, mas será que terá autonomia para seguir as recomendações da ciência ou seguirá as diretrizes insanas de Bolsonaro, o dono da bola?

Eduardo Oliveira
Professor de História, Filosofia e Ética e Cidadania Organizacional, além de graduado em Pedagogia
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