24 de Junho de 2021
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Como funcionam as vacinas contra o novo coronavírus?

Colunista Mateus Falco

Nessa coluna vamos apresentar alguns conceitos relacionados à vacinação contra a COVID-19. Primeiro, abordaremos como ocorre a resposta imunológica após a vacinação e nos próximos textos explicaremos como funcionam os tipos de vacinas em andamento no mundo e que estarão disponíveis no Brasil.

Para começar vamos explicar quem é o novo coronavírus?

O coronavírus tem formato arredondado e na parte externa existem as proteínas Spikes (espinhos) formando uma coroa, em amarelo na figura abaixo. Essa coroa é responsável por dar o nome a essa família de vírus, o termo corona vem do latim e significa coroa. Na figura abaixo do lado esquerdo é possível ver o vírus no seu formato arredondado com as proteínas Spike em amarelo formando a coroa, são vários espinhos envolta do vírus. Na direita o vírus foi cortado para mostrar seu interior e o material genético RNA em forma de cordão enrolado na cor rosa. A proteína Spike e o RNA são importantes para o desenvolvimento das vacinas, o RNA é o material genético responsável por guardar a receita de como o vírus fabrica a proteína Spike em amarelo, esses temas serão abordados em outro momento.

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E como o sistema imunológico ataca o vírus?

O sistema imunológico é a nossa primeira linha de defesa contra diferentes microrganismos, como bactérias, fungos e vírus. Quando ocorre uma infecção por um desses parasitas, nosso corpo tem células que são responsáveis por reconhecer esses invasores e começam um ataque imediato contra eles. E, ao mesmo tempo, ocorre outro mecanismo muito importante que é a formação dos anticorpos responsáveis pela nossa imunidade mais prolongada contra esses parasitas, os testes sorológicos são baseados nesses anticorpos. Na imagem abaixo os anticorpos são representados pela letra Y em vermelho e a ligação deles na proteína Spike do vírus em amarelo, essa figura mostra como o nosso sistema imunológico age após a primeira infecção. E esse modelo de ação é usado para o desenvolvimento das vacinas.

Divulgação - Anticorpos são representados pela letra Y em vermelho e a ligação deles na proteína Spike do vírus em amarelo
Anticorpos são representados pela letra Y em vermelho e a ligação deles na proteína Spike do vírus em amarelo


As vacinas são produzidas com a intenção de imitar esse mesmo mecanismo de resposta, após a aplicação da primeira dose da vacina o nosso corpo começa a produzir anticorpos para atacar e envolver o vírus como na figura, dessa forma o vírus fica incapaz de causar uma infecção e se espalhar pelo corpo. A produção desses anticorpos após a vacinação demora em média duas semanas e assim depois de receber a primeira dose o uso de máscara é indicado. A segunda dose tem a finalidade de reforçar o sistema imunológico, fortalecendo e aumentado o contra-ataque ao coronavírus. Assim, uma resposta eficaz contra os vírus leva no mínimo 30 dias depois da primeira dose, e mesmo após esse processo de imunização com a vacina o uso de máscara é recomendado.

Ainda, existem 4 tipos diferentes de modelos como as vacinas criam essa resposta imunológica, uma delas é por meio do vírus inativado ou enfraquecido, um outro tipo de vacina é o vetor viral, tem ainda as vacinas feitas com material genético como o RNA (aquele cordão rosa enrolado na primeira figura) e por fim as vacinas baseadas em proteínas (nesse caso a proteína Spike em amarelo). Cada um desses grupos tem vantagens e desvantagens que serão discutidos com detalhes.

Sendo assim, a intenção do programa de vacinação é imunizar a população contra a COVID-19, e assim desenvolver uma resposta eficaz contra o vírus tanto nas pessoas individualmente como para toda a sociedade, quanto mais pessoas forem vacinadas maior será a cobertura responsável por bloquear a transmissão do vírus. E dessa maneira evitar que os hospitais sofram a pressão por tantos casos de infecção ao mesmo tempo.

Saiba mais na Rede Análise Covid19
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Mateus Falco
Biomédico, Mestre em Microbiologia pela Universidade Estadual de Londrina e atualmente estudante de Medicina na FEMA. E colaborador em divulgação científica na Rede Análise Covid19.
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