24 de Junho de 2021
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Preconceito racial nos esportes: uma triste realidade

Casos de atitudes de ódio motivadas pelo preconceito racial são rotina em muitas localidades

Casos de atitudes de ódio motivadas pelo preconceito racial são rotina em muitas localidades. O que historicamente deveria ter ficado no passado, com a abolição da escravatura, ressurge com força cada vez maior atualmente. O racismo é um problema estrutural da sociedade brasileira e se engana quem acha que a educação tem sido suficiente para mitigar o preconceito. A polarização da vida social brasileira nos últimos tempos trouxe à tona a manifestação do racismo em sua forma mais cruel.

Até mesmo o esporte, que é constantemente palco de manifestações de combate ao preconceito racial e fábrica de ídolos de pele negra, tem visto um crescimento alarmante de casos de racismo. Somente em 2019, os casos de injúria racial no esporte brasileiro cresceram a ponto de atingir o maior índice em cinco anos. Estes dados são do futebol, mas sabemos que as atitudes acontecem em outras modalidades esportivas.

Os atos vão desde ofensas verbais como chamar o outro de macaco, atitudes depreciativas como atirar bananas para dentro do campo na direção de jogadores da raça negra e até atos mais graves como a depredação de bens pessoais em razão da cor da pele. E as atitudes racistas não ficam restritas às torcidas e às arquibancadas, como muitos podem pensar, e acontecem também dentro de quadra ou campo, entre atletas, jogadores e companheiro de equipe.

Há ainda quem minimize o impacto de atitudes como estas nos gramados brasileiros. Recentemente, isto ficou bem claro na fala do consagrado técnico Vanderlei Luxemburgo, que alegou não concordar que provocações como chamar o outro de macaco para desestabilizá-lo emocionalmente deva ser considerado racismo. E completou dizendo que racismo puro seria apenas o que ocorreu no polêmico caso de assassinato de George Floyd por policiais americanos.

Absurdo e talvez irônico que, num país com uma das maiores populações negras do mundo (ficando atrás somente da Nigéria) e, principalmente, no campo dos esportes onde o atleta negro se destaca de forma natural, atitudes como estas ainda aconteçam e sejam toleradas.

Basta analisarmos a genética, que comprova que pessoas da raça negra possuem um percentual maior de células musculares de contração rápida - aquelas responsáveis pela velocidade, potência e explosão muscular - para concluirmos que a raça que se considera tão superior por possuir a pele branca, é, na verdade, bem inferior na maioria das modalidades esportivas. Além disso, um rápido levantamento dos maiores atletas do passado e da atualidade nos traz nomes como Muhamad Ali, Pelé, Michael Jordan, Usain Bolt e Lebron James, todos, coincidentemente ou não, pertencentes a raça considerada "inferior" por aqueles que se sentem no direito de praticar atos de racismo.

Técnicos, torcedores e amantes do esporte devem as maiores conquistas de seus clubes e times, seja no futebol, no basquete ou em qualquer modalidade esportiva, a atletas negros. Prova de que a cor da pele não determina nada, a não ser uma considerável vantagem nos esportes.
Divulgação
Fernanda Letícia de Souza
Especialista em Fisiologia do exercício e prescrição do exercício físico, é professora da área de Linguagens Cultural e Corporal nos cursos de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física do Centro Universitário Internacional Uninter
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