07 de Outubro de 2022
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Relatos de um "peba" - Pedal bom, é pedal "ruim"!

COLUNISTA - Renato Piovan

Dias de frio pela manhã e de tardezinha em nossa região. Ventos fortes e cortantes que congelam até os ossos. Ou seja: clima ideal para um maravilhoso pedal para quem curte aquele mountain bike raiz. Porque, como é dito entre os praticantes do esporte, "pedal bom, é pedal ruim".

Entenda "ruim" como um trajeto cheio de dificuldades, com vento gélido contra (porque vento a favor no pedal é igual nota de R$ 3), muita lama, buracos, subidas íngremes e até mesmo uma chuva que não estava na previsão. Não entra nesta descrição, é claro, pedais onde ocorrem quedas ou qualquer outro dano material ou físico ao ciclista ou à bike. Aí não há diversão.

Até um pneu furado está valendo, desde que você tenha todo o aparato para o conserto do mesmo e a continuidade do percurso. Se for um pedal em grupo, o ruim fica melhor ainda, pois a resenha é garantida durante o conserto ou troca. Fazer um novo trajeto e se perder também torna a experiência bem pior, ou seja, melhor.

Onde eu quero chegar com essa argumentação? É que dos pedais ruins, cheios de imprevistos, é que surgem as melhores histórias, as melhores lembranças. O ciclismo é o esporte do imprevisível, principalmente o MTB. Todo e qualquer pedal sempre tem suas particularidades. Você pode fazer a mesma trilha na zona rural hoje e amanhã. Ela sempre vai ter algo diferente. E é isso que torna este esporte apaixonante.

Quem não tem aquela história especial de uma pedalada ou prova onde passou muito frio, encarou um forte vento, pegou um trajeto cheio de barro ou encarou um percurso cheio de dificuldades? São esses momentos não muito agradáveis que ficam na memória, ao contrário daquele pedal onde transcorreu tudo normalmente e serviu apenas para uma boa prática de atividade física.

E como o ciclismo é o esporte do imprevisto, temos também os ciclistas que quando saem de casa levam um verdadeiro arsenal para tentar evitar certos problemas. Tentando evitar ficar pelo caminho, esses ciclistas não deixam de ter em mãos (ou na sua bolsa de selim ou quadro) um canivete multiuso, kit de remendo para conserto de pneus, bomba de ar, câmara de ar, espátulas para tirar pneu, conexão para corrente da bike, lubrificante, pano e saco plástico, entre outros.

Divulgação - Renato Piovan, ciclista - Foto: Divulgação
Renato Piovan, ciclista - Foto: Divulgação


E o pedal é tão de imprevistos, que muitas vezes nem todos estes itens evitam problemas no percurso. Não podemos nos esquecer, é claro, de quando ganhamos "escolta" de cachorros que moram nas propriedades da zona rural. Alguns encaram até como motivação para uma pedalada mais forte, mais rápida. Eu sou do time que prefere parar e fazer um afago nos bichinhos. O que, é claro, atrasa todo o seu percurso.

Esse é o ciclismo. Quando é bom, é bom. Quando é ruim, é bom também. Adoramos dificuldades pelo caminho, acontecimentos que tornam a pedalada uma experiência única. Aquela acordada bem cedinho em silêncio para não incomodar o sono das demais pessoas da casa. Madrugar em pleno domingo para pedalar com a galera. Não tem preço.

Pedale e se divirta. Desopile o fígado. Com o tempo você vai até concordar com o que foi escrito nesta coluna. Afinal, pedal bom, é pedal "ruim". Nos vemos nas trilhas por aí.

Renato Piovan é jornalista, ciclista amador nas horas vagas e cronista nas horas mais vagas ainda.
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Renato Piovan
Jornalista, ciclista amador nas horas vagas e cronista nas horas mais vagas ainda.
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