07 de Dezembro de 2022
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Dia do Diplomata: É possível se tornar diplomata assistindo Netflix? Marcílio Falcão, especialista no concurso de diplomacia, revela mitos e verdades

Próximo a data comemorativa da profissão, o recifense que já preparou mais de 5 mil candidatos, aponta erros e acertos cometidos durante os estudos: 'A preparação para o CACD é um projeto de muitos anos'

O Dia do Diplomata é comemorado em 20 de abril. Viajar pelo mundo, conhecer outras culturas e ter uma das profissões mais renomadas da atualidade, esses são alguns dos sonhos de quem deseja seguir na carreira. Por isso, há uma grande demanda por informações sobre a profissão e os concursos para conseguir ingressar nela. Em alguns casos, acabam sendo criados mitos e verdades que podem afastar várias pessoas talentosas da diplomacia. Um dos mais comuns é em relação ao idioma exigido, muita gente acredita que é possível se preparar apenas assistindo filmes e séries no seu streaming favorito.

Pensando nisso, Marcílio Falcão, diplomata e especialista no exame, que — juntamente com os vários colegas diplomatas do Grupo Ubique — já ajudou cerca de 5 mil alunos com cursos gratuitos, extensivos, de idiomas e programas de mentoria, listou mitos e verdades para quem deseja ingressar na profissão e ser aprovado na prova. Um dos principais pontos para o diplomata é entender que a preparação é algo que exige persistência: "É imprescindível ter a humildade para de aceitar que a aprovação exigirá longas horas, não só de leitura e de aulas, mas sobretudo de treinamento específico, produção textual, resumos, fichamentos e revisão."

Mitos:

Você precisa assistir a muitas aulas


É comum achar que para estar preparado para um concurso muito disputado é preciso assistir a horas e mais horas de aulas, mas isso é um mito. Segundo Marcílio, prepara-se melhor quem considera que estar competitivo é muito mais do que dominar apenas o conteúdo das matérias: "A preparação mais eficiente é aquela que nos capacita para os desafios e competências linguísticas específicas que serão cobradas durante o exame. Por isso, a capacidade de articulação de ideias e de expressão por meio de um texto bem escrito e bem construído é fundamental."

Você precisa ler toda a bibliografia

Seguindo a mesma lógica não é necessário ler todas as fontes bibliográficas que são sugeridas. O diplomata, criador do Grupo Ubique, uma plataforma de cursos de preparação gratuitos e pagos, revela que é melhor trocar um estudo passivo por um ativo: "A prova cobra, principalmente, sua capacidade de produzir um texto a respeito do assunto que estudou. Se você passa um tempo exagerado com aulas e leituras, acaba deixando de lado o desenvolvimento dessa competência."

Você precisa saber 100% do conteúdo

Outro erro bem comum é pensar que apenas saber o conteúdo será suficiente para ser aprovado. Isso é um modo de estudos que já não se aplica mais em diversos concursos e no de diplomatas não é diferente.

Você precisa saber tudo sobre atualidades

Estar bem informado é importante para quem deseja se tornar um diplomata, mas isto não será um grande diferencial na hora da prova. Para Marcílio, o concurso cobra um conhecimento analítico muito diferente daquele que é apresentado nos telejornais ou em revistas: "Alguns candidatos perdem 20% ou 30% de seu tempo de estudo lendo jornais e coletâneas de clippings de notícias. Contudo, menos de 15% da prova da primeira fase de Política Internacional cobra diretamente esse tipo de conteúdo."


É possível preparar-se para as provas de idiomas apenas fazendo intercâmbio ou vendo série/filmes


Consumir conteúdos pode ser uma boa alternativa para testar o nível de entendimento de uma língua, mas passar horas e mais horas assistindo Netflix, por exemplo, para aprender novas palavras, não é o método mais útil no processo de preparação. Assim como fazer um intercâmbio de alguns meses que pode dar a falsa sensação de que aprender a falar um idioma é suficiente.

Como a prova de diplomata não cobra o domínio da fluência oral, o diplomata, que foi professor de inglês por mais de 10 anos em cursinhos e escolas, alerta que é preciso procurar fazer um estudo mais dirigido às especificidades do concurso: "A prova de inglês, por exemplo, vai cobrar o domínio da gramática, do vocabulário, bem como noções de compreensão e interpretação de textos, além da habilidade de redigir uma redação, um resumo, uma tradução e uma versão de um texto em inglês, fundamentos que só podem ser desenvolvidos por meio de uma preparação dirigida."


Verdades:

Inglês é a matéria mais importante da prova

A prova de segunda fase de Inglês é o grande funil do concurso. Por isso, cada vez mais dominar essa língua tem sido um dos principais pontos do exame. "Ela tem sido responsável pelo corte de grande número de candidatos, que não conseguem tirar a nota mínima", revela Marcílio.

Formação acadêmica importa pouco

Qualquer um pode se tornar diplomata e por isso mesmo a formação acadêmica prévia importa muito pouco na hora das avaliações. Por exemplo, Marcílio se formou em jornalismo em 2005 pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), esse conhecimento o ajudou a ter uma boa interpretação de textos, mas sem a prática para a prova, ele não teria conseguido ser aprovado: "A prova cobra competências específicas que só são desenvolvidas durante um estudo intenso e específico."

É preciso desenvolver habilidades linguísticas

Estudar o conteúdo da prova é muito importante, mas só isso não basta. Existem algumas habilidades que precisam ser trabalhadas, como o domínio da escrita e das noções de estilo.

Procure aprender com que já passou pela prova

Sempre tente fazer contato com outras pessoas que foram aprovadas no exame. Pegar dicas com que tem uma vivência parecida com a sua e passou por desafios muitos semelhantes pode fazer o aluno fugir de armadilhas. Marcílio acredita que isso é muito válido: "A opinião de quem já passou na prova sobre como estruturar um plano de estudos contendo várias matérias é mais valiosa do que a de um professor que domina com profundidade apenas uma matéria."


O estudo é de longo prazo


Não adianta pensar que o estudo para se tornar diplomata e passar nas provas será algo que vai ocorrer da noite para o dia. Em média, o tempo para conseguir alcançar a aprovação é de mais de 4 anos. Marcílio deixa isso bem claro: "Você dificilmente será uma exceção. Entenda que a preparação para o CACD é um projeto de muitos anos. Não caia no papo de que é fácil conseguir a aprovação em apenas um ano. Isso é para poucos."
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