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Será um governo de alta intensidade em relação às reformas, afirma Haddad, na Fiesp

Ministro da Fazenda debateu eixos fiscal, de crédito e regulatório em reunião com empresários liderada pelo presidente Josué Gomes da Silva, que defendeu a importância da indústria de transformação para impulsionar a economia

  • 31/01/23
  • 11:00
  • Atualizado há 77 semanas

O presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva, recebeu o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na manhã de segunda-feira (30/1), para reunião, seguida de almoço, com diretores, presidentes de sindicato e conselheiros da entidade.

"Precisamos ter visão estratégica de crescimento", afirmou Haddad aos empresários, pontuando a importância da reindustrialização do país. O ministro, que estava acompanhado do secretário-executivo, Gabriel Galípolo, citou três eixos fundamentais de atuação: a questão fiscal, de crédito e regulatória.

Esses itens convergem com pontos defendidos por Josué. Ao abrir o encontro, o presidente da Fiesp lembrou que a indústria de transformação sempre foi a locomotiva do crescimento brasileiro, especialmente entre 1940 até o fim da década de 1980. "Nas últimas quatro décadas a indústria de transformação vem perdendo espaço na economia. O Brasil criou condições extremamente inóspitas para o desenvolvimento da atividade da indústria de transformação", afirmou.

Entre as condições adversas citadas pelo presidente da Fiesp estão a estrutura tributária, que pune a produção e retira da indústria de transformação a capacidade de investir, e o grande custo do capital, por conta das altas taxas de juros e do elevado spread bancário.

"A indústria de transformação traz o maior multiplicador econômico, porque aplica dois terços do investimento em pesquisa e desenvolvimento no Brasil, paga os melhores salários, e seu crescimento ajudará a resolver os problemas sociais. A indústria trará em dobro qualquer perda da arrecadação que possa existir, porque vai corresponder ao aumento da produtividade e geração de empregos", destacou.

Em sua exposição, Haddad afirmou que este governo será de alta intensidade em relação às reformas. O ministro defendeu a aprovação de uma Reforma Tributária e a adoção de um novo arcabouço fiscal, medida que deverá ser endereçada ainda no primeiro semestre. A Reforma Tributária, segundo ele, já tem a anuência dos 27 governadores e terá atenção do Congresso logo após a eleição das mesas diretoras das casas, marcada para esta semana.

Em relação ao crédito e à agenda regulatória, ele disse que havia se reunido mais cedo com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e que várias iniciativas para melhorar o ambiente de negócios que estavam paralisadas serão desengavetadas agora. "O PIX será um instrumento de crédito. Isso está na agenda do Banco Central e deve sair no meio do ano", disse o ministro, lembrando que há 70 milhões de CPFs negativados no país.

Haddad afirmou ainda que a reindustrialização deverá se dar com base na energia limpa e na descarbonização da economia, pontos também defendidos pela Fiesp. Segundo ele, o Brasil está bem posicionado em relação ao mundo porque tem uma matriz energética limpa e possibilidade de ampliar seu uso, seja na produção de hidrogênio verde, de energia eólica, de energia solar ou biomassa. "Sou um entusiasta da agenda de reindustrialização e acredito que a crise da mudança climática pode nos oferecer um caminho de desenvolvimento muito interessante", disse.

O ministro defendeu ainda a necessidade de recuperar investimentos em Ciência e Tecnologia e avançar no que ele classificou como maior gargalo da educação brasileira: o Ensino Médio. "Evoluímos no Ensino Infantil e Fundamental, democratizamos o acesso ao Ensino Superior, mas o elo frágil desse ciclo continua sendo o Ensino Médio. No mundo inteiro existe foco nessa etapa, pois cuidar da juventude vai garantir a força de trabalhado para o país", afirmou o ministro, para quem é preciso incentivar o ensino profissionalizante nesta etapa educacional.

A formação de mão de obra é um assunto prioritário para a Fiesp. Na reunião, Josué afirmou que, por meio do Senai-SP, foram ofertadas ao governo do estado de São Paulo dez mil vagas para o Ensino Médio no quinto itinerário formativo, que é o profissionalizante. Além disso, para atacar o gargalo existente na área de tecnologia, Josué informou que o Senai-SP disponibilizará, até o fim de 2025, 270 mil vagas gratuitas em parceria com gigantes do setor, como Google, Oracle e Microsoft. Em 2022, primeiro ano da parceria, cerca de 60 mil vagas foram ofertadas.

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