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Desigualdade Racial na Política: um problema estrutural

Artigo/Opinião

Professor Fernando Cândido de Paula

  • 27/06/24
  • 15:00
  • Atualizado há 2 semanas

A desigualdade racial em nossa política é uma manifestação evidente do racismo estrutural, conceito desenvolvido pelo atual Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Sílvio de Almeida. Segundo o Ministro, o racismo estrutural não é uma anormalidade ou uma patologia a ser tratada, mas sim um resultado do funcionamento normal e cotidiano da sociedade. E esta realidade se reflete também em números nas eleições municipais. Segundo a Agência Brasil, em 2020, apenas 6,16% dos vereadores eleitos se declararam negros, enquanto mais de 53% se identificaram como brancos. O restante dos eleitos se autodeclarara pardos, amarelos e indígenas.

Estes dados indicam uma grande preocupação: a profunda desigualdade racial que permeia a política brasileira. Em uma sociedade onde pouco mais da metade da população é negra ou parda, a não representação destes grupos nos cargos eletivos demonstra um desequilíbrio significativo que precisa ser debatido. A presença reduzida de negros e pardos em posições de poder, limita a diversidade de decisões que contribuem para a formulação de políticas públicas mais justas e inclusivas.

A análise do racismo estrutural de Sílvio de Almeida propõe que estas desigualdades são sustentadas por um sistema que privilegia historicamente determinados grupos raciais em detrimento de outros. No contexto da política, isso significa os caminhos ardentes enfrentados por candidatos da pele escura vão além das questões individuais, mas abrangem desde a falta de recursos financeiros, até o preconceito e a discriminação direta durante as campanhas.

Tomando como exemplo a cidade de Assis e sua região, é possível observar uma escassez de políticos negros em cargos eletivos, sejam eles vereadores ou prefeitos. Esta realidade não é exclusiva da nossa realidade regional, mas um reflexo de um problema que envolve todo o país. A presença de políticos negros não só é importante para a representatividade, mas também para assegurar que as políticas públicas reflitam a diversidade da sociedade brasileira.

A cor da pele, obviamente, não define a competência para administrar um bem público. No entanto, a falta de representarão racial na política mantém vivo um ciclo de exclusão e marginalização. É essencial reconhecer que a inclusão de mais negros e pardos nos espaços de poder pode trazer uma diversidade de experiências e visões que enriquecem o debate público e contribuem para a construção de uma sociedade mais justa.

Para avançar no tema, são necessárias ações afirmativas que incentivem a participação política de pessoas negras e pardas, desde o financiamento de campanhas até a conscientização e educação política. Além disso, é fundamental que a sociedade como um todo reconheça e combata as práticas discriminatórias que, na maioria das vezes, impedem a plena participação destes grupos na política.

Em conclusão, a desigualdade racial na política brasileira é um reflexo do racismo estrutural que permeia nossa sociedade. Para construir um futuro mais justo e igualitário, é imperativo que enfrentemos este desafio de frente, promovendo a inclusão e a representatividade de negros e pardos nos espaços de poder político. Somente assim poderemos aspirar a uma democracia verdadeiramente representativa e inclusiva.

*este texto não representa a opinião do Portal AssisCity e é de responsabilidade do seu idealizador

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