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O pantanal brasileiro agoniza

Artigo/Opinião

Prof. Me. Thiago Hernandes

  • 09/07/24
  • 13:00
  • Atualizado há 1 semana

O pantanal brasileiro agoniza.

De forma não inédita e certamente não será a última vez, o Brasil se depara com os trágicos ciclos de incêndios no Pantanal nos estados de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul.

Reconhecido internacionalmente pela ONU como Patrimônio Natural da Biosfera, o Ecossistema do Pantanal é área única no mundo, visto que é a maior planície alagável e o ponto de confluência de variados biomas como a Mata Atlântica de Interior, a Floresta Amazônica, Campos, Cerrado e até mesmo exemplares da Caatinga.

Face a esta diversidade e complexidade, a vida silvestre na região é muito heterogênea e desenvolveu-se por meio de um frágil equilíbrio da dinâmica natural, compreendendo sobretudo a climática, o regime de cheias e a vazão dos rios da região. Entretanto, apesar desses pontos que por si só já seriam mais que suficientes para garantir sua plena preservação, recorrentemente e desde muito tempo nos deparamos com temporadas de incêndios extremamente avassaladores na região.

Tais eventos destroem milhares de hectares de vegetação nativa, além de causar a morte de animais e impactar profundamente a biodiversidade. Há de ser registrado que por muitas décadas a presença de atividades humanas na região deu-se de forma relativamente menos agressiva, sobretudo na modalidade da pecuária pantaneira. Entretanto, foi a partir do final do século XX que surgem exponencialmente focos de incêndio descomunais na região acompanhados do avanço de um modelo de agropecuária nociva ao meio ambiente e aos próprios pantaneiros que por gerações ali residem e se desenvolvem suas atividades econômicas.

Outro reflexo negativo é sentido junto a população indígena que, originalmente e secularmente povoando a região foi dali expropriados. Que os incêndios ocorridos na região fazem parte daquele Ecossistema, uma vez que em certa época do ano em razão da estiagem a vegetação seca é propícia ao evento disso não há dúvidas.

Neste breve ensaio quero, porém, chamar a atenção para os efeitos nocivos que essa degradação causa. A falta de controle e de políticas eficazes na ocupação e exploração daquele solo movida pelo interesse econômico desmedido precisa ser urgentemente tratada.

Há de ser respeitado o equilíbrio entre meio ambiente, economia e equidade social. A natureza há tempos vem ecoando gritos de socorro, mas os que podem promover mudanças inteligentes e significativas no planeta se fazem de surdos.

As recentes catástrofes climáticas mundiais dão severos sinais do abuso que o planeta vem sofrendo. Que mundo ainda veremos e teremos?

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