
Por Ulisses Coelho
As pessoas têm os esforços de seu trabalho por anos recompensados, minimamente, nas viagens de férias. Economias aliadas com um trabalho extra aqui outro ali, mirando o objetivo maior de terem dinheiro suficiente para um lazer em família por alguns dias nos fins de ano. Cansaço a mais em troca de um passeio memorável, digno de centenas de fotos nos álbuns das redes sociais da internet.
Mas por que falar sobre férias bem no meio do ano? Justamente por ser agora a hora do sacrifício. Vejo muitas pessoas se matando de tanto canseira em nome da tão famigerada viagem de fim de ano. Ralam por jornadas duplas de trabalho, tripla no caso das mulheres, para poderem desfrutar de um repouso na praia ou em qualquer lugar fresco para refrigerar os escaldantes meses de janeiro e fevereiro.
Existem dois tipos de viajantes: os que buscam a diversão e os que almejam a ostentação. Creio que os primeiros voltam mais descansados e os segundos mais endividados. Ambos adoram falar de seus passeios sem serem perguntados, esquecendo-se de que, muitas vezes, isso gera frustração naqueles que não puderam fazer o mesmo. Não sou invejoso, apenas preguiçoso, esperem um pouquinho…
Sei que as escolhas que fazemos durante a vida são, na maioria das vezes, de ordem individual. Sendo assim, nesse caso, posso falar apenas das minhas. Sinceramente, não acho que uma semana de viagem pague meses de jornada dupla ou tripla. Já sei já sei… Alguém pode aí torcer o nariz e dizer que não devo ter filhos para pensar assim. Pensam com razão, de fato não tenho filhos, mas deixemos também esse detalhe para as escolhas de ordem pessoal, assim como as opiniões.
Entretanto, encontro uma explicação econômica e outra psicológica para esse meu ponto de vista. A econômica é que sou seguidor daquele famoso provérbio inglês que nos diz que a bagagem mais pesada é a carteira vazia; numa adaptação mais atual para ele, também se estende ao cartão sem credito e conta sem corrente. A psicológica se baseia na mais pura e pecaminosa preguiça, posto que haja viagens cuja realização beira o custo zero. Posto isso, para terminar, elaborei uma fórmula para a preguiça:
Preguiça de trabalhar extra + preguiça de viajar = férias em casa!
Ulisses Coelho









