Na semana e no Dia Internacional do Meio Ambiente, 5 de junho, o encontro com a educação e as políticas públicas revelou um quadro de horrores na sociedade brasileira. Há que ser solidário com professores, trabalhadores e estudantes na educação pública. Uma vez mais, enfrentam a fúria de governantes e a truculência gestores da tecnocracia paulista. A valorização e a expansão da educação, ciência e cultura são estratégicas no século XXI.
A Organização das Nações Unidas e a Unesco têm dedicado esforços e mobilização contínua pela Educação para o Desenvolvimento Sustentável. A Agenda 2030, desde 2015, promove a esfera da racionalidade para a inovação social e cultural, para além da técnica e científica. Incentiva o diálogo intercultural e as políticas públicas transversais e eficazes. Pede a qualidade do ensino e o pensamento crítico na educação, na vida e no trabalho.
Iniciativas de comunicação, reflexão e crítica, despontam nas artes, filosofia e nas humanidades – literatura, história, sociologia, antropologia, política. Criam-se espaços educadores, dentro e fora da escola. Crescem as experiências em Humanidades Ambientais. O geógrafo Aziz Ab´Sáber sugeriu conceitos multidisciplinares – cultura, biodiversidade, metabolismo urbano etc. – na educação científica das atuais e das novas gerações.
A educação científica assim construída confronta a insensibilidade, a indiferença e a ignorância, reinantes quanto ao significado e ao alcance social da questão ambiental no Brasil. A amplidão e a mega diversidade, regional, natural e cultural, e a concentração urbana da população, ditam a alienação social de mundos tão distantes. Na vida escolar aproxima cultura e ciência. Na vida profissional cria igualdade e cooperação solidária.
Raul Ximenes Galvão, sociólogo e ambientalista pioneiro, alertava para a relevância da experiência sensorial nas ações de educação ambiental. Conduta valiosa na compreensão da dinâmica dos ecossistemas, de formas de vida e de práticas sociais inaceitáveis, como o racismo ambiental. Sim, a experiência pedagógica de campo pode enfrentar dificuldades concretas. Não são incontornáveis, mesmo em grandes centros urbanos e em suas periferias.
Há inúmeras e variadas possibilidades em espaços museológicos, centros de ciência, unidades de conservação, comunidades tradicionais e Terras Indígenas. Oferecem situações de ensino e aprendizagem para ações educativas e de mediação cultural. As Humanidades Ambientais, em busca de solidariedade e criatividade, das dimensões ambiental e planetária da cidadania e sociedades democráticas, têm ali caminhos singulares, criativos e inovadores.
Paulo Henrique Martinez, professor na Universidade Estadual Paulista e pesquisador do CNPq.

