O machismo é mania bem antiga do homem; desde o começo do mundo é assim. Diz a bíblia, que o pobre do Moisés foi obrigado até a permitir a dissolução legal do vínculo matrimonial, através da lei deuteronômica, que consentia que um homem se divorciasse de sua consorte. Aquele líder religioso teve que introduzir o divórcio para evitar maiores males, como por exemplo, que um marido não satisfeito com a mulher, chegasse inclusive a matá-la, para poder se unir a outra que lhe interessasse.

Jesus, porém, restabeleceu o matrimônio em sua dignidade primitiva, insistindo na indissolubilidade: “O que Deus uniu o homem não separe”. Mas nem no tempo de Jesus o homem se emendou. Quem é que não conhece a história de Madalena? Um dia, levaram essa pobre mulher até Jesus, com o argumento de que ela estava se prostituindo. Mas se prostituindo com quem? E o safado que estava com ela? Esse nem sequer é mencionado.

Claro que os tempos mudaram, e muito. A mulher, ao longo dos anos, foi conquistando seu espaço. Os movimentos feministas foram repercutindo e hoje, já podemos ver a mulher em destaque na sociedade, nos meios empresariais e políticos também. O homem é que não mudou nadinha, continua o mesmo. E tem mais; ele não admite ver a mulher ocupando cargos que antes eram apenas do seu privilégio.

O homem trai, mas não quer ser traído. E o interessante é que o desavergonhado usa o termo “prostituta” de boca cheia, referindo-se a mulher, mas não diz “prostituto”, quando se trata dele mesmo. Noventa e nove por cento dos crimes passionais são cometidos pelo homem.

Isso me faz lembrar o Raimundo, um baiano lá da minha cidade, chegado por demais num rabo de saia. Passou a maior parte de sua vida traindo a pobre da dona Margarida, a esposa, certo de que ela não sabia de seus pulos. O que o Raimundo ignorava é que já estava vivendo nos tempos modernos, era da televisão e dos movimentos feministas, que a todo vapor, já preconizavam a ampliação legal dos direitos da mulher.

Cansado de pular cerca e já meio sem fôlego, um dia o baiano resolveu contar suas aventuras pervertidas à patroa, pedindo perdão por elas. O que ele ouviu da mulher, a quem até então ele tinha como santa, o deixou tão perplexo, que nem reação ele teve. Disse-lhe a Margarida:

-Olhe Raimundo, já faz tempo que descobri suas artes de infidelidade, e desde então, venho mantendo um caso amoroso com o compadre Malaquias. Você sabe, chumbo trocado não dói.

No bairro onde o baiano Raimundo sempre fora conhecido como machão e gavião, há muito que vinha sendo chamado de galhudo, aspudo, manso, chavelhudo, guampudo, corno, membro da irmandade de São Cornélio e de outros adjetivos equivalentes.

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