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* Por Rafael Hernani Ferreira

Um dia desses minha esposa contou que suas amigas comentaram que gostariam que seus maridos tivessem a “pegada” do Michel da novela amor a vida. Em primeiro lugar me veio a pergunta será que as esposas que comentavam o assunto tinham o corpo sensual (e desenhado por dezenas de profissionais) da atriz Patrícia, par romântico do ator. Mas depois cheguei a conclusão de que isso não é relevante. A frase das amigas pode ser avaliada por si só. A imagem vendida pela novela realmente funciona, muitas mulheres sonham com a pegada do ator assim como muitos homens sonham se esfregar nas atrizes, e assim marido e mulher sentados no sofá fazem amor mentalmente com pessoas que não conhecem. Unidos pelo corpo, mas distantes anos luz em seu pensamentos, embora assistam a mesma cena, no mesmo sofá.

Sou pai de duas meninas e gostaria de dizer uma coisa não só como homem, mas representando homens e mulheres como eu. Nós temos a “pegada” muito melhor do que a do Michel. De manhã “pego” minhas filhas e ajudo a arrumá-las para irem a escola. Depois volto tomo café e me preparo para pegar o carro e ir trabalhar. No trabalho “pego” minhas ferramentas e procuro atender a todos e a toda situação da melhor forma possível. Na hora de ir embora uso minha “pegada” de novo, pego minhas ferramentas, limpo o local e parto. Em casa volto a usar minha pegada, “pego” minhas filhas no colo, brinco dou carinho, ajudo em algum cuidado que for necessário e a noite as coloco pra dormir com um beijo, e reservo um momento com a esposa.

Enfim todos nós temos a pegada, minha mãe tinha tanta pegada que criou três enquanto meu pai trabalhava fora, não sou um radical contra TV, mas acho que fantasiar demais não é bom, espero que todos, homens e mulheres que me deram atenção até aqui, valorizem a seus companheiros. E na hora de amá-los lembrem-se do que os uniu. Tenho certeza que não foi só a “pegada”.

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