
Por Pastor Luís Alberto Sanches*
Hoje, quero compartilhar com os meus leitores uma história de um viveiro de pássaros que tive, e não faz muito tempo. Era muito bonito, porém, os problemas de convivência logo começaram a pipocar. A empolgação me fez colocar pombos, manons, periquitos australianos e agapornis juntos, no mesmo ambiente. Não precisou muito tempo para a briga começar.
Os agapornis são pássaros fascinantes, coloridos e dóceis. Quando amansados, são vistos passeando pacificamente no ombro do dono. Também são popularmente conhecidos como love-bird (pássaro do amor), porque a vida do casal é harmoniosa e cheia de “beijocas” e carinho o dia todo. Mas, no caso do viveiro em questão, tornaram-se audaciosos, egoístas, violentos e decidiram tomar conta do pedaço, atacando os que não eram de sua espécie.
Todos os manons foram mortos e o mesmo aconteceu com quase todos os periquitos australianos. O casal de pombos, provavelmente pelo seu porte, conseguiu sobreviver.
Passei a observar o comportamento do casalzinho e fiquei com pena dos pombinhos, sempre trabalhando para construir o seu ninho e sofrendo a interferência destruidora dos agapornis.
Quando o casal conseguia algum sucesso na construção do ninho e pôr alguns ovos, chegavam os briguentos periquitos arrumando confusão e quebrando todos os ovos.
O que impressionava era a atitude dos pombinhos. O casal, além de não brigar, não fazia outra coisa, a não ser tentar e tentar reconstruir o seu ninho. O tempo foi passando e percebi que o objetivo do casal deixou de ser a reconstrução do ninho, mas a manutenção da paz com os vizinhos encrenqueiros. Fiquei encantado com eles, quando notei que estavam empenhados na manutenção da paz, preservada a preço alto. O sonho de construir o ninho me pareceu ter ficado em segundo plano. Tudo pela paz!
Na tradição judaica e cristã, a pomba é o símbolo da paz. A coisa toda começa lá com Noé e sua arca, quando a pomba retornou com um ramo de oliveira no bico, anunciando o fim do dilúvio e a paz entre Deus e os homens. No batismo de Jesus, o Espírito Santo desceu como pomba, vindo sobre Ele. No início dos anos 1960, o pintor espanhol Pablo Picasso eternizou a pomba branca como símbolo da paz, em gravuras que se tornaram mundialmente famosas. Nos dias atuais, os pombos estão em baixa e são vistos como portadores de piolhos e transmissores de doenças.
Voltando ao meu viveiro, onde as brigas logo começaram a pipocar…
Pombas e periquitos me reportaram à oração atribuída a São Francisco de Assis, que tanto toca os nossos corações e que começa pedindo: “Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz…”
*Pastor Luís Alberto Sanches é Presidente do Conselho de Pastores da cidade.









