Meus olhos espiam morteiros
O dia entardecer os passageiros
Já não existe vôo turbulento
A turbulência é o co-piloto de respeito
Ninguém sabe
Mas a viagem é um passe
De outras vidas que morreram
Nas breves despedidas que sobreviveram
E não haverá sonhos grandes
Ao cruzar os Alpes franceses
Só haverá terríveis dramas
Para quem quiser dormir nas estrelas
Minhas mãos escrevem úmidas
O alcance das mortes profundas
Não quero que uma gota de sangue
Se esparrame de outra mão que ao futuro se abrange
Crianças, idosos, caseiros, atletas
Podem ser todos comigo – agora – poetas
As imagens nem me deixam pensar no que cresce
Ou no horizonte que eu distraída tento fazer uma prece
E não haverá sonhos grandes
Ao cruzar os Alpes franceses
Só haverá terríveis dramas
Para quem quiser dormir nas estrelas
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Isabella Cristina Vieira Nucci
A Poeta das Estrelas é universitária de Letras na Unesp (Assis)










