Esperando um verão com altas temperaturas e apostando no bolso gordo do consumidor e na euforia causada pela Copa do Mundo de 2010, a AmBev, líder do mercado de cerveja com 70% das vendas, já adiantou o reajuste nos preços da bebida, segundo supermercadistas. Nos nove primeiros meses do ano, o mercado movimentou 6,313 bilhões de litros, gerando R$ 25,535 bilhões de faturamento, segundo a Nielsen. Comparado ao mesmo período de 2008, o volume é 3,6% superior e a receita é 8,7% maior.

A indústria de cervejas concentra entre novembro e abril, período chamado de “verão expandido”, 60% de suas vendas anuais. Normalmente são feitos reajustes nos preços logo no início da estação, em meados de dezembro. “A AmBev passou o reajuste mais cedo este ano, que deve ficar entre 6% e 8%, dependendo da marca”, declara Emílio Bueno, diretor da rede de supermercados Econ, 30 lojas em São Paulo. Martinho Paiva Moreira, vice-presidente da Apas (Associação Paulista de Supermercados), levanta a bola de um realinhamento nos preços em duas etapas. “Para minimizar o impacto dessa alta, a indústria está até propondo um aumento escalonado, de 3% a 4% agora e mais 4% em janeiro”, explica Moreira, referindo-se à AmBev.

“Um reajuste de 6% a 8% é muito alto, mas vem para compensar os aumentos contidos que as indústrias aplicaram nos anos anteriores”, comenta Adalberto Viviani, consultor especialista no mercado de bebidas. No ano passado, por exemplo, a Ambev corrigiu seus preços em 5,4%, alta seguida pelos concorrentes. “O consumidor está com dinheiro no bolso e as cervejarias estão contando com isso para aumentar sua rentabilidade. O calor e a Copa do Mundo só devem reforçar ainda mais esse posicionamento de preço”, explica Viviani. Ele acredita que o varejo vá repassar o aumento ao consumidor.

Fonte: Valor Econômico

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