*Larissa Traina

Com o passar dos anos, é notável o aumento da preocupação do ser humano quando o assunto é beleza. Os produtos cosméticos tem crescente variedade no mercado, acompanhada por sua procura. Mas, recentemente, esse ramo tem tomado uma vertente natural. Atualmente, muitas indústrias e universidades têm buscados princípios ativos da beleza em plantas de diversas regiões, e isso tem surtido bons resultados.

Descobriu-se no picão-preto (Bidens pilosa) mecanismos moleculares contra a flacidez e rugas, que resultaram em um ativo cosmético que funciona de maneira semelhante à vitamina A. Considerada uma espécie invasora no campo, a gramínea apresentou benefícios similares aos dos retinoides, compostos receitados por dermatologistas por possuir poder de regeneração celular e síntese (fabricação) de colágeno, porém, sem os efeitos adversos, como irritação cutânea, descamação e ardência.

Outra planta que apresentou benefícios foi o angico-branco (Piptadenia colubrina), uma árvore de grande porte presente na Mata Atlântica. O extrato feito com as cascas dos galhos rendeu cremes, loções e outros produtos utilizados para aumentar a hidratação da pele. É atualmente utilizado em um produto que, ao entrar na pele, estimula a célula a expressar aquaporinas, permitindo a distribuição da água e gerando a hidratação. As aquaporinas são proteínas que permitem essa passagem.

Essa busca pela beleza rendeu não apenas compostos que ajudam na prevenção do envelhecimento e hidratação da pele, mas também em descobertas que ajudam na prevenção e tratamento de doenças.

Pesquisas feitas com a jabuticaba mostraram que “A jabuticaba possui compostos fenólicos que ajudam a prevenir o envelhecimento precoce, combater os radicais livres, possui vitamina C e do complexo B além de possuir fibras que ajudam o colesterol sanguíneo”

Descobriu-se que as melhores propriedades da fruta estão na casca. A pesquisa consistiu em transformar esta casca em uma farinha e um extrato que, posteriormente, foram testados em células com algum tipo de câncer. “Nós observamos uma redução de 50% no crescimento de células de leucemia e células de câncer de próstata”. Observou-se uma redução de 50% no crescimento das células cancerígenas. Fato explicado por a fruta possuir compostos fenólicos.

Os mais potentes estão presentes na casca e atribuem a cor escura à fruta. Estes compostos combatem o envelhecimento precoce da pele. Outra vertente da pesquisa mostrou que o consumo diário de jabuticaba pode ter efeito na prevenção da diabetes tipo dois. A casca da fruta provou ser eficaz na redução de 10% de glicemia e na redução do colesterol sanguíneo.

Outra planta pesquisada foi o camapu (Physalisangulatu), um arbusto originário da Amazônia e regiões norte e nordeste. Ele possui atividade semelhante à dos anti-inflamatórios corticoesteroides, sem os efeitos colaterais de uso a longo prazo, como ressecamento e envelhecimento da pele. “A proposta no caso do camapu foi a de buscar ativos com ação anti-inflamatória, similar aos corticoides, muito utilizados hoje para tratar problemas da pele e do couro cabeludo, como coceiras, eczemas e caspa”.

*Larissa Traina – Diretora do Departamento de Projetos

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