
*Alcindo Garcia
Roma que há milhares de anos foi sitiada por inimigos da Igreja esteve em festas nestes dias na Praça de São Pedro. A renúncia de Bento XVI e a posse do papa Francisco transformaram a Praça de São Pedro num cenário tomado por jornalistas de todos os continentes. Se de um lado serviu para ilustrar ao mundo pelos meios mais modernos, a pauta serviu também para ilustrar o despreparo de certos jornalistas quando falam em religião.
Centenas de câmeras de televisão postadas em lugares estratégicos tinham como foco a chaminé que mostraria a fumaça branca, símbolo de um novo papa na Igreja. Se de um lado, cardeais chegavam de todos os continentes e até o francês, que chegou de bicicleta e foi imediatamente cercado pela mídia, dado o ineditismo da cena, também não faltaram gafes de apresentadores como ocorreu no Jornal Nacional, quando dois repórteres divulgaram informações diferenciadas na mesma edição. Um deles garantia que o papa ao escolher o nome de Francisco referia-se a São Francisco Xavier, enquanto o outro mais afeito ao tema informava que a homenagem era para São Francisco de Assis, que promoveu na Idade Média uma verdadeira reforma na Igreja, cultuando a pobreza como tema principal, para uma nova congregação que surgia e hoje conta com milhares de franciscanos espalhados pelo mundo todo. Foi preciso o William Bonner, possivelmente assessorado por algum assistente eclesiástico, desfazer no ar o equívoco, esclarecendo que uma das mais certas comparações dizia respeito ao santo de Assis, que fundou a Congregação dos frades franciscanos.
A Assessoria de Imprensa do Vaticano não se pronunciou, mas o que vale é que o papa Francisco já deu mostras de sua humildade e despojamento. Vestido de papa foi ao hotel onde se hospedara pagar a conta das diárias, o que causou susto na recepção. Outro detalhe: deixou o carro oficial e se dirigiu juntamente com os cardeais de ônibus para seus novos aposentos. Bem-vindo papa Francisco!
*Alcindo Garcia é Jornalista. E-mail: [email protected]










