
*Alcindo Garcia
Aos iniciantes na editoria de Política devo informá-los que os coletivos desempenham papel de suma importância, pois através deles podemos nos expressar nas entrelinhas, bater na cangalha para o burro entender. Os coletivos são os específicos e os não específicos. Que bichos são esses? Não vem ao caso. Vamos ao assunto. O coletivo – assembléia – por exemplo, define uma reunião de pessoas, condôminos e até deputados. Às assembléias aplicam-se outro coletivo denominado sessões. São sessões que servem apenas para aprovarem moções laudatórias, ativadas até no recesso parlamentar, porque geram jetons. Jeton é uma verba extra, paga pelo contribuinte, que reforça os proventos do pai da pátria.
Há coletivos também para designar reuniões de bichos, os que não ganham jetons. Para reunião de cada tipo de quadrúpede o coletivo recebe um nome. Para definir uma reunião de cavalos, jumentos, burros, bestas e zebras (que é o que não falta), usa-se o coletivo – manada. Aos primeiros desses eqüinos, em grupo, dá-se também o nome de cavalhada. Também se diz, de forma pernóstica, uma récua de burros ou de jumentos e, ainda, uma tropa, dependendo do número de animais.
Para designar uma reunião de insetos que picam, incomodam, azucrinam, também se usam coletivos. Emprega-se enxame quando se tratam de abelhas, vespas, maribondos, moscas. E nuvem – quando se trata de gafanhotos, de cupins e de outras pragas semelhantes -, que destroem tudo até o erário público. Ao coletivo de cães dá-se o nome de matilha, mas é popularmente conhecida como cachorrada.
Pouco usado por alguns gramáticos o coletivo – vara de porcos – que distingue grupos de suínos, poderá ser simplificado por porcada, já que os bichos chafurdam na lama, seu habitat preferencial. Contrapondo àqueles que dizem que as raposas se reúnem em bando, aqui o coletivo mais usual é camarilha. Camarilha também define pessoas que cercam o chefe de Estado procurando influir nas decisões (Vide Aurélio). Poderão ser usados também em forma de metáforas, por exemplo: uma camarilha está impondo um cardume (cardume é coletivo de peixes) de motivos para evitar que o Supremo mande prender os corruptos para conseguir a prescrição das penas. Há outros coletivos como súcia, corja, cambada, que por prudência prefiro não comentar.
*Alcindo Garcia é Jornalista) e-mail: [email protected]










