Passados 23 anos da Rio-92 voltamos a discutir uma nova agenda ambiental para o planeta. Há vinte e três anos, todos nós, ambientalistas, estávamos engajados na mudança do paradigma do capitalismo de crescimento sem respeito ao meio ambiente, tanto que em 92, surgiu a Agenda 21, com temas de grande relevância como a biodiversidade e a preservação dos patrimônios cultural e humano de cada país.

Embora nos anos 90, as mudanças impostas pelo processo de globalização, priorizando o crescimento econômico dos países emergentes como Brasil, Índia e China, tenham acelerado os processos de degradação e destruição dos habitats, em razão direta da necessidade de se produzir mais matérias-primas (commodities) para abastecer estes novos pólos.

Temos que considerar também que a ascensão de milhões de pessoas ao consumo capitalista desencadeou um intenso êxodo populacional em direção às cidades e um conseqüente crescimento desordenado. Pagamos um preço muito alto pela expansão do crescimento econômico aqui no Brasil, particularmente com a devastação de milhares de hectares de florestas, com a extinção de espécies animais e vegetais, erosões, assoreamentos e impactos ainda não medidos.

Nesta vertente econômica é que chegamos a 2015 sem a participação ativa das ONGs nas questões diretamente ligadas as demandas Ambientais locais e regionais. Entre os temas mais relevantes atuais, está a discussão da sustentabilidade, ou seja, crescimento econômico dentro de princípios de preservação do meio ambiente. Trata-se de um tema muito amplo num momento muito preocupante da economia mundial, a crise econômica na zona do euro, o desemprego nos Estados Unidos, a fome na África, a retração do crescimento econômico da China, a crise política e econômica do Brasil, além da instabilidade no Oriente Médio, Ásia e América Latina.

Neste contexto verificamos um discurso de mudos e surdos, que lamentavelmente não surtirá efeito algum, como foi até agora o Tratado de Kyoto sobre as mudanças climáticas globais e do Painel Intergovernamental do IPCC, sobre a redução da emissão de gases estufa na Atmosfera. O que vemos, na realidade, é uma reunião política, onde a maioria dos países não poderá ou não terá iniciativa de colocar em prática propostas que venham a ser apresentadas devido as suas dificuldades econômicas e sociais.

Lembro-me que durante na Rio 92, que participei empolgado em defender o meio ambiente e o planeta da degradação ambiental, que minha geração de ambientalistas tinha propostas reais e lutou durante anos para traduzir em educação ambiental os princípios de conservação e preservação da natureza.

Formamos, como educadores, milhares de jovens comprometidos com a causa ambiental, muitos trabalhando em cargos estratégicos em empresas e no poder público, onde gostaríamos que colocasse em pratica aquilo que nos esforçamos em ensiná-los.

Para nós, ambientalistas, educadores e pesquisadores, professores e jornalistas, que lutamos muito em defesa das causas ambientalistas desde os anos 1970, só resta imaginar como John Lennon, um novo mundo sem fronteiras, sem poluição e todos vivendo em paz. IMAGINE, Imagine… Imagine!

You may say, I “m a dreamer

But I “m not the only one

I hope someday you “ll join us

And the world will live as one

Imagine

Você pode dizer que eu sou um sonhador

Mas eu não sou o único

Espero que um dia você junte-se a nós

E o mundo será como um só

Imagine

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Dia Mundial do Meio Ambiente

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Ronaldo Ciciliato (ProfCICILIATO) é ambientalista, professor,Mestre UEL, Doutor pela UNESP, e colaborador do Jornal.

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