Menos de 24 horas após ser ameaçado de morte na frente de sua própria casa, o vereador Fernando Sirchia (PDT) concedeu entrevista à Rádio Difusora de Assis na tarde desta terça-feira, 24 de março, e relatou, em detalhes, os momentos de tensão que viveu na tarde de segunda-feira, entre 16h e 16h30.

Sirchia contou que havia acabado de chegar de reuniões e se preparava para a sessão da Câmara Municipal quando a campainha tocou. No início, o homem se apresentou dizendo realizar uma pesquisa. “Eu estranhei o comportamento dele, olhei para os lados, quando eu voltei para ele, ele já estava com a arma apontada para mim. Ele engatilhou o revólver e começou a falar. Isso tudo no portão da minha casa“, descreveu o vereador.

Diante da arma apontada, Sirchia chegou a tentar fechar o portão, mas se conteve. “Graças a Deus eu não fiz isso, porque no momento que ele engatilhou o revólver eu fiquei em choque. Eu escutei a arma engatilhar” Em seguida, o homem passou a chamar o vereador de “x9”, afirmando que ele “falava demais” e que “a ordem era matá-lo”. Ainda assim, disse que lhe daria uma chance — desde que parasse de falar e não acionasse a polícia. “Ele falou que se eu fizesse alguma coisa, ele ia matar eu e a minha família.”

Durante a abordagem, o vereador conseguiu gravar discretamente um vídeo com o celular que tinha na mão. O aparelho, porém, foi levado pelo homem antes de fazer o backup, e não foi possível recuperar as imagens. A localização do celular foi fornecida à polícia em tempo real, mas já havia defasagem. O último sinal registrado foi às 16h30, ainda próximo à residência.

Após o homem ir embora, Sirchia esperou alguns minutos, trancou o portão e foi de carro ao encontro da esposa para, juntos, dirigirem-se à Delegacia Seccional de Assis. Cerca de 15 a 20 minutos depois do ocorrido, já estavam prestando depoimento ao delegado.

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Sobre a ameaça de não procurar a polícia, o vereador foi direto: “Eu fui ameaçado justamente nesse ponto — foi falado que se eu procurasse a polícia, matariam eu e a minha esposa. Então eu prefiro deixar essas informações lá com a polícia, para não expor ainda mais as pessoas envolvidas e evitar mais retaliações.”

O parlamentar descreveu o homem como tendo aproximadamente 1,70 m de altura, vestindo camiseta polo vermelha e calça jeans, e portando um revólver calibre .38 cromado. Disse nunca tê-lo visto antes. “E espero nunca mais o não ver.”

Família abalada

Sirchia admitiu que, no momento da abordagem, reagiu com frieza, mas reconheceu que, em retrospecto, assumiu riscos desnecessários ao longo de sua atuação parlamentar. “Muitas vezes eu até brinquei que não sabia se eu era corajoso ou se era falta de juízo, e hoje eu vejo que em muitas situações eu fui muito inconsequente”, afirmou.

O vereador disse estar investigando denúncias que “podem gerar muitas repercussões e que afetam muita gente”, mas que, diante do episódio, é hora de olhar para a família. “Não adianta eu ser bravateiro se o mais importante está dentro de casa. Quem está sendo mais afetada é a minha esposa, que não tem nada a ver com isso e que também teve a sua vida ameaçada, e a minha mãe, que está sofrendo muito.”

O parlamentar informou que está ingressando em programas de proteção a defensores de direitos humanos do governo federal e que medidas de segurança estão sendo adotadas. “Enquanto eu não tiver uma garantia de segurança para poder fazer o meu trabalho e me deslocar pela cidade tranquilamente, eu vou ficar mais reservado.”

Investigação em andamento

A Delegacia Seccional de Assis está à frente das investigações, registradas inicialmente como roubo. Na manhã desta terça-feira, a prefeita Telma Spera e o presidente da Câmara Municipal, Paulo Mattioli, estiveram na delegacia para uma reunião com o delegado Lincoln Amorim Kumizawa, tratando especificamente do caso.

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Sirchia revelou que já havia recebido ameaças anteriormente, mas nunca de forma tão direta. “Dessa vez foi completamente diferente. Sinceramente, eu imaginava que algo assim poderia acontecer, mas não nesse momento, não dessa forma — tanto que eu fui atender a campainha como atenderia para qualquer um.”

O Portal AssisCity segue acompanhando o caso. 

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