
[/left]*Henrique H. Belinotte
Dizem que o brasileiro acredita em papai noel.Também afirmam que no Brasil do nada surgem grandes fortunas e do nada desparecem esses ricaços.
Ainda é comentário geral que no Brasil fazer fortuna é algo normal, ainda mais quando se tem ligações com o governo. E que o governo sempre socorre os grandes empresários.
Nos últimos dias os noticiários do país tem acompanhado com atenção a derrocada do império da marca X, encabeçado pelo “mega empresário”Eike Batista.
A derrocada financeira do grupo EBX, de Eike Batista, após meses de crise, deixou pesados estragos na bolsa e no patrimônio de milhares de investidores que acreditaram nos planos mirabolantes do empresário.
Mas o próprio interessado, cuja fortuna chegou a ser avaliada em US$ 34,5 bilhões no ano passado,eque estaria entre os dez mais riscos do mundo, pode ter saído no lucro depois de um derretimento superior a 90% no preço das ações. Com patrimônio reduzido, agora, para US$ 2,9 bilhões, ele possui ações que ainda pode vender e a chance de fechar negócios, mantendo uma posição minoritária em suas companhias.
O tombo do empresário reflete a desconfiança do mercado, agravada recentemente pela informação de que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) teria dado ao EBX garantias de R$ 2,3 bilhões em empréstimos. Obanco estatal informou que as operações contratadas com o grupo somam R$ 10,4 bilhões, ou seja, quatro vezes mais. Incrível!
Diante desse quadro, ou seja,da evaporação dos papéis da EBX, o que preocupa e a possibilidade de um socorro federal ao grupo de Eike. As ações estão em queda livre na Bolsa epodem valer R$ 0,10 cada, preço bem distante dos cerca de R$ 50,00 de algum tempo atrás. O risco de um calote fenomenal na praça é alto.
É fato que aeconomia brasileira passa por apuros.
Com o objetivo de superar essa fase crítica não falta quem defenda taxas de juros mais elevadas e cortes drásticos nos gastos do governo, atingindo programas sociais e investimentos.
Nesse ambiente, que conta ainda com as ruas vigilantes e eletrizadas pelos protestos, é impensável que o governo tente novamente socorrer Eike Batista.
Não é fato desconhecido de ninguém queo capitalismo brasileiro sempre manteve uma relação muito íntima com o Estado, ao longo da história.
Os grandes empreendedores brasileiros surpreendem o mundo por sua aversão aos riscos próprios dos negócios.
Já os micros e pequenos empresários brasileiros ficam entregues à própria sorte, enfrentando restrições ao crédito e submetidos a uma burocracia infernal.
O “caso X” é hoje um exemplo de uma política equivocada de incentivos a grupos privados gigantescos, com retorno duvidoso para a sociedade sob qualquer aspecto.
Henrique H. Belinotte – advogado do Escritório Belinotte&Belinotteadvogados










