Relutei por muito tempo em escrever esse artigo, por querer preservar a memória do meu pai. No entanto, pensando no bem que este artigo poderia trazer, resolvi escrever. Mesmo estando sujeito às críticas.

Meu pai, natural do Estado de Alagoas, foi uma pessoa que a vida e a sociedade não lhe deram muitas oportunidades, aos 16 anos já era órfão de pai e mãe. Veio para o Estado de São Paulo com 17 anos, sem perspectiva nenhuma de vida.

Trabalhava numa construtora de estrada asfáltica da rodovia José Brasil Dower que liga Marília a Paraguaçu, passando por Oscar Bressane e Lutécia.

Meu pai só acreditava que a bebida seria a saída para todos os seus problemas. Ao contrário, além de não encontrar à saída esta foi a sua condenação. Meu pai morreu aos 50 anos por causa de um câncer, provavelmente ocasionado pelo uso moderado de bebida, diariamente pinga e, eventualmente, cerveja e outros destilados.

Quando jovem, meu pai, sem esperança, iria seguir a empresa que continuaria construindo as estradas asfálticas que começavam a cortar o interior do Estado.

Por ocasião do destino ou providência divina, meu pai conheceu minha mãe e logo ele decidiu fixar morada em Oscar Bressane e arredores.

Foi então que meu pai começou a ter mais esperança, sobretudo quando começaram a aparecer os filhos, no total de três: minha irmã, meu irmão e eu.

No entanto, não abandou o vício moderado do alcoolismo.

Meu pai foi um exemplo paterno, posso até escrever outro artigo para elencar suas qualidades paternas, mas, o foco deste é outro, pois, foi bebendo moderadamente que meu pai deixou de amar a sua família, de curtir mais e melhor os filhos e a vida, simplesmente porque gostava de beber moderadamente.

Foi o mesmo vício que, com toda certeza, o impediu de me abraçar e dizer “eu te amo”, bem com aos meus irmãos e, às vezes, até minha mãe.

Foi bebendo moderadamente que ele brigava com minha mãe e nós presenciávamos tudo, quando ainda éramos criança.

Foi tomando moderadamente que tocou políticos da nossa casa e ficou sem emprego, quando trabalhava na Prefeitura e quase passamos fome.

Poderia ficar elencado milhares de situações nas quais agiu moderadamente alcoolizado e dificultou que pudéssemos viver melhor.

Não tenho rancor do meu pai, já o perdoei, tenho raiva da bebida e de pessoas que usam do pretexto de beber socialmente e não imaginam o mal que fazem a si mesmo e a seus familiares.

Eis um do motivo para não beber nada que contenha teor alcoólico.

Sugiro que, se você bebe socialmente ou moderadamente, procure entidades de assistência.

Preferi não colocar o nome do meu pai, pois, cada um que ler pode se identificar com esse personagem trágico desta história. E a sua história a sua vida pode ter um final diferente. Só depende de você.

Sei também que o título “Meu pai bebia socialmente e acabou com a nossa família” é forte, entretanto foi um modo de te sensibilizar. Pare de beber, mesmo que moderadamente ou socialmente.

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Meu pai bebia socialmente e

[/left]POR MÁRCIO ALEXANDRE DA SILVA

Professor de Filosofia

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