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Nem sempre a resposta é simples

[/left]* Por Rafael Hernani Ferreira

Na faculdade meu professor falou uma frase por volta das dez horas (aquela em que todos estão cansados e esperando acabar), “eu estudo há mais de 20 anos e não sei como um menino da idade do Neymar ganha milhões jogando bola”. Meus amigos a frase vinha de alguém que é chefe de uma equipe de pesquisa, e tinha uns 15 anos de estudo depois da graduação. A pergunta do mestre me fez pensar e, como se tratava de alguém com muito estudo eu a levei a uma autoridade maior na qual acredito, (cada um tem a sua), a resposta veio fragmentada e vou tentar resumi-la aqui.

Vivemos no tempo da futilidade. O dicionário esclarece futilidade como algo irrelevante ou superficial, mas temos aqui um paradoxo, se algo é irrelevante porque todos querem ver ou estar perto. Não sou contra o futebol, acho que o Neymar trabalha bem naquilo que sabe, assim como todos nós. Mas o professor tem razão, um médico ganha bem menos que o Neymar e faz uma diferença muito maior na vida das pessoas, um professor contribui para educação de seus alunos, uma cozinheira que prepara os alimentos com amor e por ai vai… Todos os profissionais têm grande importância, mas nos tempos de futilidade é mais importante a marca das calças do que a saúde das pernas que estão dentro. Entre as manifestações nas ruas havia faixas como: “queremos hospitais no padrão fifa”. Mas o número de pessoas interessadas no futebol é muito maior do que os que participam nas questões voltadas a saúde.

O fato é que os políticos no Brasil têm uma missão fácil, governam e votam sem ninguém para opinar, basta olhar o número de pessoas nas reuniões da câmara e número de pessoas no carnaval. Temos uma maioria que vive como gado, me perdoe a expressão, mas Zé Ramalho cantou isso há muito tempo: “povo marcado e povo feliz”. Viva a futilidade. As casas noturnas, os clubes, os estádios, o tempo de lazer é sem fim. Para protestar o povo não precisa atrapalhar o serviço dos caminhoneiros, nem paralisar a economia causando desabastecimento. Tudo pode ocorrer de forma organizada, pacífica, mas sem perder o foco, de preferência com conhecimento legislativo e apoio do ministério público e da imprensa.

Talvez eu seja um sonhador, mas sonho com uma sociedade ativa, sonho com programas inteligentes na TV aberta, vejo pouca televisão, mas percebi que a Eliana trazia umas moças todo domingo, pra elas escolherem alguém, (as mesmas durante um ano) me perdoe, mas que diferença faz com quem aquelas moças iam ficar; para notar que eram as mesmas não foi preciso assistir todos os domingos não, uma vez por mês tudo igual. Enfim, em resposta ao professor digo que a felicidade de não ser fútil não vai ser reconhecida com dinheiro ou aplausos da sociedade, ela é algo mais interior e pessoal.

Encerro, dizendo a todos os pais, cuidado com a futilidade, cuidado com o tempo que seu filho passa na internet, de bobeira no facebook, cuidado com os programas bobos que impedem ao seu filho o fazer com calma as lições de casa, ou a leitura daquele livro que a professora solicitou, cuidado com suas idas a balada, a bebida ao volante, a futilidade mata. As empresas não aceitarão os viciados no facebook, a SBT e a Globo não darão emprego a quem decorou todos os BBBs. O que quero dizer é que não há recompensa por parte das empresas aos consumidores das futilidades que as grandes corporações vendem.

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