
Por Gustavo Pilizari
E dançando, cantando, flanando, voando, pairando… assim a doce pluma da vida nos guia além alamedas, lagos, bosques, cidades, países… e tudo acontece dentro de nós, porque só temos o nosso corpo como morada… de que vale ter um corpo se não posso usá-lo, como se fosse um raro violino, diria Katherine Mansfield…
E lá do alto tudo é admirado, visto calmo num candor existencial…
E gostaria eu de ser uma cadenciosa canção para flutuar no ar, perpassar os ouvidos das multidões, levando as serenas notas da vida, usando para expressar os sentimentos existenciais apenas o Dó, o Ré, o Mi, o Fá, o Sol, o Lá e o Si… escrevendo a partitura de cada leve esboço do sorriso, da alegria, do amor, do abraço e do outro…
E as fagulhas e as nuvens na xícara de café refletem o desejo onírico do aconchego dos dias brumosos deitado frente às lembranças que entorpecem os olhos; e a vida vindo com o arrepio da brisa fresca das janelas abertas da casa no alto da colina esperando o agitado mar espirrar as lágrimas passadas entre todos…
E Chopin e Tchaikovsky dormem no armário, mas nunca na mente ritmada pela doçura das melodias já assimiladas perpetuamente… nada pode estar mais junto a você do que suas lembranças a escreverem a sua eterna Ode…
E depois de um tempo, todos percebemos a infalível destreza da ampulheta incessante, segurando os últimos finos grãos…
Nessun Dorma…
Gustavo Pilizari é de Quatá e jornalista e mestrando em Comunicação pela Unimar
msn: [email protected]









