
Por Gustavo Pilizari
– Mas eu queria ficar… e sei que não devo, e sofro por que quero…
(escorre nas janelas a fina chuva e as trovejadas alhures da incerteza esvaziam o coração…)
– É, onde deveria eu estar e não estou?
– Eu lhe avisei da dor, que nada é fácil quando se vive, e nada é total – nunca se esgota aquilo que se deseja, desejando o eterno sempre, perpetuando o vício da existência do preenchimento das lacunas…
(o som das vozes rasga o silêncio; afaga a manhã as cores do fog feito pelúcia…)
– É que tudo é tão tediante; nós é que montamos um cenário falso, e escondemo-nos nas personas do trágico e da comédia…
– A nênia cobre o alto da charneca enquanto as dores da saudade desfiam em negro…
– As lágrimas escorrem nos pêsames aos recém entregues à vida…
(alguém segura uma caixa num canto duma esquina qualquer e olha o horizonte fixo, latente em si está a existência frágil – está empapado pela borrasca)
– Eu nunca fui tanto o outro, e nunca deixei tanto de ser eu…
– Nós somos o que de nós é externo: não surgimos de dentro, surgimos de fora…
Gustavo Pilizari é de Quatá e jornalista e mestrando em Comunicação pela Unimar
msn: [email protected]









