
Por Ulisses Coelho
O medo é um dos sentimentos mais incômodos que sentimos, em contrapartida, sem ele não estaríamos por tantos milênios pisando sobre a violada face do planeta. Foi o medo do escuro que nossos ancestrais sentiam, porque era na noite que estavam mais expostos às feras selvagens, que os motivou a buscar alternativas mais claras para o breu noturno. Descobriram (há quem diga inventaram) o fogo.
Sócrates, famoso pensador grego, é considerado por muitos um cidadão desprovido de qualquer temor. Isso porque preferiu uma condenação a morte em vez de viver exilado em terra desconhecida, pois essas eram as duas alternativas possíveis em seu julgamento. Dizia que era melhor morrer ao invés de viver uma vida num lugar estranho sujado pela vergonha de não ter defendido seus ideais até as ultimas conseqüências.
Nesses termos, o filósofo tinha um pavoroso medo, que se revela no sentimento da vergonha. Assim sendo, ele não era esse destemido reconhecido pela posteridade.
Essa veneração identificada na atitude de Sócrates se explica por ele abrir mão do medo mais comum dentre os mortais, que é o da própria morte. Devido à pressão do Cristianismo em querer manter seu domínio sobre os corações e mentes da parte Ocidental do mundo, Galileu Galilei negou sua verdadeira teoria sobre a forma do mundo estar mais próxima da esférica do que da plana. Por não seguir o exemplo de Sócrates, muitos o consideraram um covarde; acusação essa, diga-se de passagem, bastante injusta para um cérebro como Galileu. Muito melhor um gênio vivo do que morto.
O medo, em si, é uma reação em cadeia do cérebro, causado por alguma situação de estresse que termina na liberação de compostos químicos que alteram os músculos e o sistema nervoso. Existe uma idéia, está implícita no desconforto causado pelo medo, que, em resumo, se exprime em “não se arrisque”.
O cérebro acaba estimulando a liberação de hormônios como a adrenalina, a noradrenalina entre outros. Assim, o aumento da pressão arterial, a dilatação das pupilas e o enrijecimento dos músculos são as alterações mais sensíveis que percebemos quando estamos numa situação em que sentimos medo. O corpo fica mais alerta para se defender da maneira que melhor dispõe.
As situações de medo devem nos induzir para uma maior meditação sobre nosso comportamento. Machado de Assis já dizia que o medo é um preconceito dos nervos. E preconceito desfaz-se, basta a simples reflexão. Se figuras notáveis como Sócrates e Galileu pautaram seus pensamentos em cima de um medo que sentiam, creio ser essa uma postura sensata para qualquer pessoa.
Medo é um sinal de alerta que pede reflexão, não uma imposição de recusa para um evento que nos ocorra.
Ulisses Coelho









