
Por Ulisses Coelho
Começo esse texto com a expressão atribuída ao Sanabria, o filósofo da Cohab. Talvez ela soe um tanto redundante ou circular, pois na palavra escritor estar implícita a ação do agente da produção textual. Entretanto, é preciso que tal afirmação seja repetida quantas vezes forem necessária.
Existem diversas razões que justificam o eterno voltar sobre esse mesmo conceito. Escritores são, geralmente, pessoas chatas que adoram ver o seu ponto de vista reverenciado pelas multidões. Todos insistem em opinar não pela importância do tema em questão, mas para ver seu ego inflado pelos elogios dirigidos à sua perspicaz leitura de mundo. Como geralmente não são bonitos e nem tem sua fotos estampadas nos semanários de fofocas, querem para si os holofotes de uma suposta inteligência avantajada.
Por isso não costumam lidar bem com alguém que conteste sua argumentação escrita. Não suportam a possibilidade de existir uma interpretação lógica das coisas que esteja além de sua compreensão. Os escritores vestem uma brilhante roupa chamada democracia que quer dizer: respeitem minha opinião, a dos outros apenas suporto por reciprocidade.
Alguns, não se conformando com a falta de talento para a fama, persistem com a estapafúrdia idéia de ver seu texto ligado a uma foto de óculos escuros, onde está filosofando olhando para um ponto fixo no horizonte do nada. Querem ver seus escritos comentados e aclamados. Quando alguém ousa discordar dessa subjetividade, tão importante para a conservação da raça humana no planeta, irritam-se e desabonam o equivocado parecer sobre sua obra evocando intrigas da oposição ou ignorância do senso comum.
Essas abomináveis criaturas adoram citar outras de sua predileção com o intuito de vomitar conhecimento. Segundo o filósofo alemão Arthur Schopenhauer a maioria dos escritores vivem da literatura e não para a literatura. Assim, numa mesma tacada conseguem inflar a vaidade e a sobrevivência com alto teor financeiro.
Um escritor apenas escreve. Que não tente ir além da caneta, da maquina de escrever, do teclado ou do ctrl V. E também que ninguém cobre dele nada mais que isso. Para fora desses limites, já nos antecipa bem o sábio Eclesiastes, tudo é vaidade!
Ulisses Coelho









