Diz Sócrates que quem não gosta de política acaba sendo comandado por ela. Sempre considerei essa frase uma chave para compreender a vida em sociedade. Porque, gostemos ou não, a política não é uma escolha de alguns, mas um tecido que nos envolve a todos. Ela está presente quando lutamos por um hospital melhor, quando exigimos que uma escola funcione com qualidade, quando batalhamos para que a cultura chegue aonde parecia esquecida.
A política não se limita a disputas eleitorais ou a palanques. Ela se revela nos pequenos gestos de quem busca melhorias coletivas, na capacidade de transformar demandas em conquistas concretas. É justamente por isso que a indiferença soa tão estranha. Como pode alguém desejar os frutos de uma árvore sem se importar com o cuidado de quem a plantou, regou e protegeu da tempestade?
No entanto, quantos preferem se manter à margem, como se fosse possível escapar? Fingem neutralidade, mas estendem as mãos quando o resultado de uma ação política beneficia sua vida ou sua instituição. Rejeitam o debate, mas não recusam a conquista. Criticam o movimento, mas aproveitam o vento. Talvez por conveniência, talvez por medo, talvez por não entenderem que a omissão também é uma forma de decisão.
É curioso: sempre que alguém ousa colocar a política como parte da vida cotidiana, há quem se apresse em acusar de exagero, de antecipação, de vaidade. Mas, curiosamente, os mesmos que apedrejam a palavra colhem silenciosamente seus frutos. Talvez porque seja mais confortável usufruir do que reconhecer. Talvez porque seja mais fácil julgar do que somar.
Falo de postura. De compreender que a política é, antes de tudo, um exercício de responsabilidade coletiva. É ela que transforma vontades individuais em direitos comuns. É ela que abre portas para que os sonhos não fiquem apenas nos discursos. E se há quem veja nisso algum excesso, eu vejo apenas coerência: viver em comunidade é assumir que nossas escolhas, ou nossa falta delas, repercutem na vida de todos.
Porque a verdade é simples: ninguém escapa da política. Uns preferem se esconder atrás do silêncio, outros disfarçam com críticas vazias. Mas cedo ou tarde todos são atingidos pelas decisões que nasceram de debates que, em algum momento, preferiram ignorar.
E se me perguntam por que insisto em falar dela, respondo com serenidade: porque sei que o silêncio também é uma escolha e, muitas vezes, a escolha mais cara. Prefiro a voz que arrisca incomodar ao silêncio que aceita ser conduzido. Porque, ao final, o que realmente permanece não é o conforto de ter agradado a todos, mas a consciência tranquila de ter feito a parte que me cabia.
Rodrigo de Souza é publicitário, mestre em Comunicação, Cultura e Arte e integrante do Conselho Municipal de Cultura de Assis. Atua como analista de comunicação e eventos, é associado do Rotary Club de Assis do Vale, membro do Conselho da Fundação Futuro e da diretoria da Casa da Menina São Francisco de Assis, com trajetória dedicada à cultura, educação e projetos comunitários.










