
Por Ulisses Coelho
Grandes decisões implicam proporcionais dúvidas. Um dia, pelo simples fato de questionar, os seres que se dizem humanos, começaram a viajar pelo arenoso terreno das perguntas irrespondíveis. Aquelas três clássicas perguntas… Da onde viemos? Onde estamos? Para onde vamos?
Essas questões não são relevantes porque ainda não encontramos respostas, mas por termos encontrado diversas. Cada uma delas coerente com seu tempo e interesses históricos, sem deixarem de serem alternativas, por vezes impostas, às nossas condutas. Quanto aos questionamentos do parágrafo anterior, certa vez alguém já respondeu: saí de meu pai e de minha mãe, estou aqui e um dia vou morrer. Prático?
Semana passada participei de uma caminhada filosófica com Sanabria de Aleluia, o filósofo da Cohab. Refrigerados pelo fim de tarde de maio, passamos compassadamente pelas politicamente empoeiradas calçadas assisenses. Nesse momento, que durou aproximadamente uns quarenta minutos, relembramos uma das questões que vem inquietando a humanidade já faz algum tempo, o chamado paradoxo da onipotência.
Seu enunciado põe em xeque os ilimitados poderes divinos. Se Deus é onipotente, pode criar uma pedra que nem Ele mesmo consegue levantar, ou seja, se não consegue ergue-la, deixa de ser onipotente; se não pode criar, continua sendo incapaz de ser onipotente.
Muitas das mentes mais brilhantes que já passaram pelo nosso planeta Água, gastaram boa parte de suas valiosas energias, com o intuito de solucionar esse incômodo impasse. Pensadores, que aceitam ou ignoram as elementares regras de lógica, propuseram argumentos interessantes para satisfazer nossa perturbadora curiosidade.
Alguns líderes religiosos disseram que o problema não faz sentido, pois o Soberano criador não é nenhum garoto de academia que fica exibindo seus dotes físicos por aí. Essa é a famosa saída de fininho e pelos fundos, pois problema sem sentido é problema resolvido.
Durante a vespertina caminhada, Sanabria citou um aluno seu que, de fato, resolveu com racionalidade o instigante paradoxo, da mesma forma como fizera outrora o mencionado filósofo. Entretanto, a minha intenção é, como já bem disse Tom Zé, explicar para confundir, deixo a questão aberta para prováveis argumentações.
De repente alguém resolve de maneira mais adequada. Sem maiores conclusões.
Ulisses Coelho









