A noite da última terça-feira (26) foi marcada por emoção e revolta externadas por amigos e familiares de dois jovens assisenses, ambos mortos por arma de fogo aos 21 anos de idade: Gabriel Ribeiro de Mendonça e Luis Alexandre João dos Santos.
Pelo menos 40 pessoas se concentraram na rotatória São Francisco, com balões de ar na cor branca, camisetas com as fotos das vítimas, e faixas com pedido de justiça; que para os manifestantes seria o julgamento e prisão dos dois acusados pelas mortes de Gabriel e Luisinho, respectivamente o sargento PM Pontes e Junior Fabiano Queiroz da Silva, esse último com prisão decretada logo após o crime. Ele está foragido.
Gabriel foi morto pelo 3º sargento PM Edivaldo Pontes, à época com 40 anos. O crime, classificado como homicídio culposo (sem intenção), foi na noite de 26 de dezembro de 2009, no “Rancho dos Amigos”, onde estavam o sargento, a família, policiais militares e vários jovens, amigos dos filhos de Pontes. Gabriel foi morto com um tiro no pescoço, que saiu pelas costas. A arma do crime, uma pistola .40, pertence à Polícia Militar.
Segundo testemunhas, após o ocorrido o sargento tentou se matar, por duas vezes, foi contido e levado, em estado de choque, ao hospital.
Há várias versões para o trágico episódio: uma delas, que Gabriel, numa brincadeira, tentou retirar a arma da mão do policial. A mãe do garoto, Edilene Ribeiro de Mendonça, não acredita em tal versão.
“Meu filho saiu para se divertir em uma festa e voltou para casa num caixão. Foi morto por um sargento da polícia, que deveria ter mais cuidado com sua arma. Segundo os autos, eles passaram o dia jogando truco. À noite o sargento foi até a caminhonete, pegou a pistola, parou na varanda, brincou com um casal de namorados que estava lá, colocando a arma na cabeça de um, na barriga de outro. Depois fez o mesmo no pescoço do meu filho e a arma disparou”, conta entre lágrimas.
Quando na morte de Gabriel, Edilene havia dito à reportagem que o disparo foi acidental. Questionada sobre o porquê de ter mudado de opinião, diz que: “Depois que conversei com você, eu corri atrás dos fatos, fui ver os autos, fui atrás de testemunhas, fui atrás de tudo. Vi que o policial foi imprudente, irresponsável. O tiro foi à queima-roupa, meu filho não teria tentado tirar a arma da mão desse policial não. Se fosse ele que tivesse matado alguém, estaria preso, mas como foi um policial, está solto por ai”, revolta-se.
A mãe do jovem acrescenta que Gabriel fazia Química Industrial quando foi morto. “Ele faria o 3º ano de faculdade, caso não tivesse sido assassinado. O sargento pagou uma fiança menor que o valor que eu pagava pela mensalidade da faculdade do meu filho”, fala indignada.
LUISINHO – Na mesma oportunidade houve manifestação pela morte de Luisinho, que supostamente teria furtado um capacete do assassino, por isso foi “castigado”.
O jovem morreu na tarde de 26 de maio de 2010, segundo a família, por engano (outra pessoa teria furtado o capacete). A pessoa mais próxima da vítima, na manifestação, era a namorada dele: Paula Giovana Nunes Gonçalves.
A mãe esteve no jornal, há pouco tempo, para divulgar uma fotografia do acusado, que está foragido desde o crime.
“A gente espera Justiça, mas pelo jeito a polícia está acomodada, pois já sabe quem é o bandido, que está foragido, e não faz nada para encontrá-lo”, critica.
Luisinho foi morto por cinco tiros, disparados pelo bandido, que se aproximou dele em uma motocicleta. O rapaz, segundo a família, tinha boa índole e foi morto por engano a duas quadras da casa onde residia, na rua Vicente Mercadante.
SITUAÇÃO DO SARGENTO – Por vários anos o PM Pontes serviu em Assis. Na ocasião da tragédia, estava locado no 20º Batalhão Metropolitano, na região de Barueri. A família e ele residem em Assis.
Na manhã de ontem, a reportagem contatou o comandante interino do 20º Batalhão de Barueri, o major PM Adalberto. O oficial informou que o sargento Pontes está afastado da corporação por motivo de licença médica, devido a transtorno psiquiátrico, desencadeado logo após a morte de Gabriel. “Foi uma fatalidade; ele sentiu muito tudo o que aconteceu, ficou muito mal e nunca mais se recuperou, estando impossibilitado de trabalhar. Para ele, a forma como ocorreu o evento foi extremamente traumatizante”, informa.
Foi instaurada sindicância, pois existem consequências administrativas. No que diz respeito à Polícia Judiciária, o sargento vem respondendo ao processo em liberdade.
Na época do crime, o então coronel do 32º Batalhão de Assis, Major Lincoln de Oliveira Lima, disse que, por o policial estar de folga no momento do homicídio, não responderia por crime militar, mas sim pela Justiça Comum. Ele só será submetido a júri popular se o Ministério Público entender que houve algum tipo de agravante, tornando o homicídio culposo em doloso.









