*Márcio Alexandre
Dia 31 de março, é passagem da marcante história do nosso país, o Golpe Militar.
Faremos um contexto histórico que anteciparam o Golpe de 1964, sem nos prendermos em detalhe de datas, mas em acontecimentos que colaboraram para o golpe de estado.
Em 1955 Juscelino Kubitschek (JK) foi eleito presidente tendo como vice João Goulart.
Numa primeira tentativa de golpe, os udenistas (UDN) tentaram impedir a posse de ambos, mas, não conseguiram.
JK propunha o crescimento de 50 em 5. Foi conhecido como anos dourados devido à prosperidade das elites.
Em 21 de abril inaugurou Brasília como capital do país.
Em 1961 Jânio Quadro (UDN) foi eleito presidente. Devido à legislação eleitoral da época o vice poderia ser de outro partido, e João Goulart vice de Quadro era do PTB.
Jânio condecorou Ernesto “Che” Guevara (Ministro de Cuba) o que provocou a revolta dos udenistas, alegando abertura ao comunismo internacional.
Não suportando a pressão interna e externa, Jânio renuncia em 25 de janeiro de 1961.
No momento da renuncia o vice Jango estava fora do país. Os udenistas quiseram impedir sua posse. Foi à segunda tentativa de golpe, novamente sem êxito.
Aceitaram que Jango assumisse, desde que aceitasse o parlamentarismo como forma de governo, João aceitou e, o presidente era personagem figurativa, quem exercia o poder era o 1º ministro indicado pelo Congresso Nacional.
Mesmo com poderes limitados, Jango assumi a presidência em 07 de setembro de 1961 e Tancredo Neves assumiu como primeiro ministro.
O parlamentarismo se mostra ineficaz, piorando a crise econômica.
O parlamentarismo foi derrubado por meio de plebiscito em 1963 e Goulart reassume a presidência com plenos poderes.
Sobre pretexto de implantação do socialismo no Brasil, o governo de Goulart começou a sofrer resistência, por ter apoiado os movimentos dos estudantes (UNE), universitários (JUC), trabalhistas (CUT), camponeses (Liga Campesina).
O estopim do golpe foi o comício de 13 de março de 1964 com mais de 300 mil pessoas, onde Jango propôs: reforma agrária; educacional; eleitoral; tributária e a lei de remessa de lucros, que limitava o envio de dólares ao exterior.
O REGIME
Os militares divulgavam o milagre econômico do país o que gerou uma exorbitante dívida externa.
A ditadura esteve atrelada ao capitalismo estadunidense.
João Goulart foi deposto e se refugia no Uruguai temendo uma guerra civil.
O mundo estava dividido pela “Guerra Fria”, dois mundos duelavam de um lado os capitalistas liderados pelos norte-americanos, de outro a socialista conduzida pela extinta União Soviética.
No dia 19 de março de 1964 alguns grupos realizaram marcha da Família com Deus pela liberdade, movimento anticomunista.
Os EUA temendo que a esquerda comunista assumisse o poder patrocinou a intervenção militar no Brasil.
Alguns livros didáticos e historiadores denominam ditadura civil-militar.
O general Humberto Castello Branco foi o primeiro militar eleito presidente pelo Congresso, governou de 1964-1967.
Castello ganhou sugerindo que democraticamente venceria as eleições de 1965, no poder cancelou o pleito e se manteve no poder punindo adversários políticos.
O período ditatorial foi marcado por Ato Instrucional (AI) que eram decretos ou normas que estavam acima da Constituição.
Rompeu relações democráticas com Cuba para coibir a expansão socialista. Extinguiu a lei de remessa de lucros. Criou a lei de segurança nacional, definindo os opositores do governo como inimigos da pátria.
Recebeu apoio das multinacionais.
Decretou arrocho salarial.
O Ato Institucional (AI2) excluiu o pluripartidismo, ficaram apenas dois partidos: os governistas, Aliança Renovada Nacional (ARENA), “oposicionista”, Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Com AI3 finda as eleições diretas para os governadores e prefeitos de capitais, os governadores eram indicados pelo presidente e aprovado pela Assembleia Legislativa e os prefeitos indicado pelos governadores.
O AI4 deu ao presidente poder para confecção de uma nova constituição, em 1967 a constituinte fortalece os poderes do presidente e enfraquece o legislativo e judiciário.
O general de guerra de Castello Branco sucedeu. Arthur da Costa e Silva, eleito indiretamente pelo Congresso, foi o que instituiu o AI5, no dia 13 de dezembro, o mais duro golpe contra a democracia, onde o poder do presidente não se submeteria nem mesmo aos poderes judiciários; poderia fechar o congresso; suspender direitos políticos por 10 anos; cassar parlamentares; suspensão do habeas-corpus, liberdade de locomoção ou constrangimento ilegal.
Os protestos contra o governo aumentaram.
Fechou o congresso federal que foi reaberto em 22 de outubro de 1969.
Com a trombose cerebral de Costa e Silva o país foi governado por uma Junta Militar (31 de ago. a 30 de out. de 1969) composta pelos ministros do Exército, Lyra Tavares, Marinha, Rademaker e Aeronáutica, Souza Mello.
De 1969-1974 foi governado por Emílio Garrastazu Médici, ficou conhecido como anos de chumbos da ditadura devido o endurecimento da repressão. Aumentou a repressão. Gastou muito dinheiro com propaganda para mostrar o desenvolvimento do país.
O Destacamento de Operações e Informações e ao Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) persegue como nunca os que pensam diferente do governo.
Alguns grupos opositores a ditadura começaram a se armar, os principais grupos são: Aliança Libertadora Nacional (ALN), Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8).
Médici usava o slogan: “Brasil – ame-o ou deixe-o” os meios de comunicações passou por severas censuras.
Foi um período marcado pelo discurso do milagre brasileiro.
Ernesto Geisel (1974-1979) revogou o AI5, começa um lento processo de redemocratização, pois ele era favorável a devolver o poder definitivamente aos civis.
Em 1974 liberou as eleições livres para legisladores.
Em 1976 temendo o avanço oposicionista limitou a propaganda política nos rádios e TV.
João Baptista Figueiredo (1979-1985) sancionou a Anistia. Neste período torna-se insustentável conter a insatisfação.
Em 1979 é readmitido o pluripartidismo.
Reajuste semestral de salários. Reforma agrária.
As marcas da ditadura foram cerceamento da liberdade de expressão, perseguição, torturas, desaparecimentos e mortes.
Cidadãos e cidadãs comentam os 50 anos da Ditadura Militar no Brasil
Alguns cidadãos e cidadãs falaram dos males da ditadura. Outros falaram da possibilidade de um novo golpe. Outros se lembraram do período de perseguições e mortes dos opositores.
Sueli Marroni, professora de Português e Literatura, afirmou que os frutos negativos da ditadura. “Uma geração acuada, sem senso crítico, submissa, conformada”.
O filósofo Ulisses Coelho, perguntado se estamos próximo a um novo golpe militar ele respondeu. “Se a população não se organizar para resistir… sim!!!!”. No entanto Coelho orienta. “Se houver uma resistência popular…. sem chance!!!”.
Elza Batista Bueno compartilhou. “O Regime Militar não foi bom, porque nessa época as pessoas não podiam dizer, abertamente o que pensavam. Haviam perseguições, desaparecimentos e muitas, mortes ordenadas pelos militares no poder. Além disso houve um grande endividamento econômico do país” considerou Elza.
Edson Servilha lembrou. “Em Assis, o ex-prefeito Zeca Santili, precisou levar a Dona Cida e os filhos pequenos para o Chile” após breve período no país vizinho a família voltou a Assis, partilha Servilha.
COPA DO MUNDO, GUERRA CIVIL E DITADURA
POR MÁRCIO ALEXANDRE DA SILVA
Final da Copa do Mundo no Brasil, a seleção brasileira precisa de um gol para ser hexacampeã mundial de futebol.
Jogo decisivo entre Brasil e Argentina. Aos 35min do segundo tempo, o país está paralisado. Todos esperando a vitória.
Os manifestantes pararam os protestos para verem o jogo, afinal, eles também são tupiniquins.
A presidente nem sabia quem era o técnico da seleção, e gritava: “liga para o Dunga e fala que não podemos perder esse jogo. Companheiro!”.
Após o berro da presidenta, todos são surpreendidos com o grito de gol da seleção Argentina.
A presidenta sabia que as coisas iam piorar, pois tinha gasto muito dinheiro, mais do que o previsto para a construção dos estádios, além de investir em infraestrutura e logística de transportes que não surtiram muitos efeitos.
Os manifestantes decidiram continuar as manifestações.
Os torcedores nos estádios, numa ação coletiva após o apito final do árbitro, começaram a quebrar os estádios, afinal, eles pagaram por tudo – e caro por sinal.
A presidenta foi dormir, acreditando que no outro dia tudo voltaria ao normal: apenas algumas ressacas e nada mais.
Mas, a chefe de estado se enganou e, às cinco da manhã, já havia manifestações em frente à casa dela.
Naquele dia, a maioria decidiu não trabalhar e foi às ruas.
Os governos de estado começaram a convocar policiais de folga.
O povo crescia cada vez mais nas ruas.
Após alguns dias de manifestações, os alimentos começaram a faltar.
Esquerdistas foram às ruas e planejavam começar uma luta armada.
Direitistas se diziam contra a luta armada, mas pagavam pistoleiros para matarem os esquerdistas.
O caos era total! Iniciou-se, então, uma guerra civil.
A eleição, que aconteceria em outubro, foi cancelada pela ONU.
Os oportunistas viram a possibilidade de um Golpe de Estado.
Os esquerdistas queriam construir o governo do povo – socialista. Os direitistas primavam por um governo elitista e capitalista. E os militares almejavam um governo autoritário.
Nesse momento, o celular despertou, era hora de ir ao trabalho. Felizmente, foi apenas um sonho, mas, e se fosse verdade?
Embora seja um devaneio filosófico e literário não descarto a possibilidade de estarmos próximos de uma guerra civil e de uma ditadura de esquerda ou direita, ou até mesmo militar.









