A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o atentado contra a apresentadora Ana Hickmann, na capital mineira, e a morte do homem que a ameçou. O crime aconteceu no dia 21 de maio, dentro de um hotel no bairro Belvedere, Região Centro-Sul da cidade. De acordo com o delegado Luiz Flávio, a polícia pede o arquivamento do processo pelo reconhecimento de legítima defesa. Gustavo Correa, cunhado de Ana Hickmann, matou o “fã” após este atirar contra sua mulher, Giovana Oliveira, assessora da apresentadora.

O inquérito deve ser enviado à Justiça na próxima segunda-feira (20), para que Ministério Público avalie o processo. A decisão de se arquivar depende, agora, do MP e da Justiça.

Na tarde de 21 de maio, Rodrigo Augusto de Pádua, de 30 anos, rendeu com um revólver a apresentadora, sua cunhada, Giovana Oliveira, e o marido de Giovana, Gustavo Correa, que é irmão do marido de Ana Hickmann. Em uma luta corporal, Gustavo matou Rodrigo dentro de um dos quartos de hotel, após o “fã” balear Giovana. Segundo o delegado, os tiros contra a cunhada eram para a apresentadora. Nem Ana Hickamnn nem o cunhado se feriram.

De acordo com o delegado Flávio Grossi, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, a investigação mostrou que a intenção de Rodrigo era possivelmente matar a apresentadora. “Falar objetivamente que ele queria matá-la é um pouco ousado, mas pelas prova a polícia acredita que sim”, disse.

Um pen drive encontrado no quarto de Rodrigo e um celular que estava no quarto do atentado foram periciados. Nos dois, a polícia encontrou 10.480 fotos, a maioria de Ana Hickmann.

A perícia também revelou que o fã fez uma pesquisa no Google sobre o uso de detectores de metais no hotel. Ele também buscou na internet se uma munição calibre 22 era mortal ou não.

“[Rodrigo] escolheu a munição 38, chamada SLP+, que é especial, com maior força de entrada e teve o cuidado de escolher um projétil que é aquela parte de chumbo que fica. Ele escolheu uma bala que ter uma perfuração no meio, a qual é expansiva, ou seja, quando ela atinge o corpo, ela expande. Ela é mais lesiva”, descreveu o delegado.

De acordo com Grossi, somente uma arma foi encontrada no local do crime. Um exame residográfico, que verifica a presença de pólvora, comprova que Rodrigo atirou. O revólver, de calibre 38, tinha numeração raspada e a Polícia Civil não conseguiu chegar ao número original.

Um papel encontrado com anotações de Rodrigo comprovou que o crime foi planejado. Segundo o delegado, este papel detalhava que, se não houvesse “sucesso” no hotel, ele iria para o show room, onde Ana Hickmann participaria de um evento de moda. Se esta etapa também não desse certo, ele iria para o aeroporto atrás da apresentadora. Morador de Juiz de Fora, na Zona da Mata, Rodrigo tinha apenas passagem de ida a Belo Horizonte.

“Ele [Rodrigo] escolheu uma munição especial, ele planejou onde iria abordar Ana Hickmann, teve o cuidado de tentar um cadastramento inicial no show room que ela iria, visualizar o aeroporto, enfim, ele fez uma gama de ações que demonstra que ele teve sim intenção”, disse Grossi.

Delegado Flávio Grossi fala sobre conclusão do inquérito sobre o atentado contra a apresentadora Ana Hickmann, em Belo Horizonte

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