Em meio a discussão sobre a morte trágica do candidato a presidência da República, da inflação que ameaça retornar e com força, da campanha dos candidatos aos mais diversos cargos políticos, da violência que toma conta do país, surge uma peróla.

Tramita no Senado Federal uma proposta que visa modificar novamente algumas regras da nossa língua portuguesa.

Na verdade, trata-se umGrupo de Trabalho, presidida pelo senador Cyro Miranda (PSDB-GO), que tem como objetivo buscar formas para facilitar o aprendizado da ortografia nos países lusófonos (que palavrão).

E pelo que se vê,trata-se uma outra reforma ortográfica.

A proposta, criada pelo professor Ernani Pimentel, é acabar com o uso da letra “h” antes das palavras, do “ç”, do “ss”, “sc” e “xc” (que seriam substituídos pelo “s” simples), do hífen, do dígrafo “ch” (que seria substituído pelo “x”). Palavras também passariam e ser escritas como o fonema aponta como o “x” e o “s” com som de “z”. A letra “u” após o “g” e “q” e antes de “e” e “i” também seria suprimido.

Pelos estudos efetuados no Senado, as mudanças ortográficas seriam o fim. Ou melhor, o fim de muitas letras e palavras como homem viraria omen(Fim da letra “h” antes das palavras), faça viraria fasa(Fim do “ç” ), passa viraria pasa(fim do “ss”),acrescentar viraria acresentar(fim do “sc”); excelência viraria eselênsia(fim do “xc” e do “c” com som de “s” (como em cenoura), couve-flor perderia o “tracinho”, chuva viraria xuva, asa viraria aza,(fim do “s” com som de “z” ) quero viraria qero(fim do “u” após o “g” e “q”, antes do “e” e do “i”).

Para sustentar a mudança sugerida, o fundamento é de que acarretariam em economia com a educação no país, pois em vez das atuais 400 horas/aula de ortografia ministradas desde o início do ensino fundamental até o fim do ensino médio, sejam utilizadas em torno de 150 horas.

Sem dúvida,todo esse trabalho deveria estar sendo dedicado a outras questões, talvez muito mais importantes e necessárias para o país neste momento. Utilizando o argumento do professor e filólogo Marcos Bagno, da UnB essas propostas “são ridículas, patéticas e merecem todo o desprezo da comunidade de linguistas do Brasil”.

Um dos argumentos daqueles que são contrários a essas mudanças é de que por exemplo aprender a escrever em chinês é muito mais complicado do que aprender a escrever em português, e 94% dos chineses são alfabetizados. A questão é alfabetizar e letrar a população. A ortografia pode ser qualquer uma.

Diante de tudo isso, a preocupação é com o atentado que estão querendo praticar com a língua portuguesa, destruindo a sua beleza, transformando-a em algo, no mínimo, esquisito.

Daqui, fico bastante preocupado e atento, principalmente com o fim da letra “H”. E nem é preciso qualquer justificativa para tanto.

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Querem acabar com a língua portuguesa

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Henrique H. Belinotte – advogado do EscritorioBelinotte&Belinotte advogados

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